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Manaus
INTERIOR DO AM

Imunização é reforçada em Barcelos após morte de adolescente de 17 anos por raiva

Menina de 10 anos, irmã do adolescente que faleceu com raiva humana, continua internada em estado gravíssimo em Manaus 28/11/2017 às 10:06
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De acordo com Antônio Magela, que acompanha a menina diagnosticada com encefalite, o caso dela é "gravíssimo". Foto: Arquivo AC
Álik Menezes Manaus (AM)

Diante do medo de um possível surto de raiva humana em Barcelos (a 396 quilômetros de Manaus) após a morte de um estudante de 17 anos diagnosticado com a doença, as medidas preventivas estão sendo intensificadas por órgãos de saúde nas comunidades da zona rural do município.

A Secretaria Municipal de Barcelos, por exemplo, está aplicando sorovacinação profiltática nas pessoas que relatam agressão por morcegos. Hoje cerca de 1.500 doses de vacina antirábica humana e 400 doses de soro antirábico estão sendo enviadas para o Município de Barcelos.

Uma equipe da Fundação em Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) também está atuando no caso. Por meio de nota, a FVS informou que técnicos estão na comunidade desde o último dia 19 deste mês para diagnóstico situacional na área e para promover ações de prevenção.

A FVS também informou que, antes dessa remessa de soro e vacinas, o município já havia recebido 700 vacinas antirábica e 328 doses de soros. Além de realizar treinamento  para vacinadores e para profissionais de saúde na profilaxia da raiva humana e também para a coleta de amostras e controle de morcegos hematófagos.

O chefe do Departamento de Vigilância Ambiental da FVS, Cristiano Fernandes, disse que a secretaria de saúde do município está realizando o trabalho de vacinação das pessoas agredidas nas comunidades de Lago das Pedras, Terra Nova, Patauá e Tapira. “Na comunidade de Tapira as ações de bloqueio com pasta vampiricida realizadas pela FVS-AM começaram a surtir efeito, pois nas primeiras noites foi capturado um número expressivo de morcegos e, na última noite, do dia 22 de novembro, havia apenas um exemplar”, explicou.

Estado ‘gravíssimo’

Uma menina de 10 anos, irmão do adolescente de 17 anos que morreu na última semana com diagnóstico de raiva humana, segue internada na Unidade de Terapia Intensiva da Fundação de Medicina Tropical. O médico Antônio Magela, que acompanha o caso, disse que o quadro da menina é considerado gravíssimo. “Ela está sendo tratada com todos os cuidados pelos pediatras e intensivistas, o atendimento é 24 horas enquanto a gente aguarda o resultado dos exames, que eu não sei que dia vai sair”, disse.

Segundo o médico, pessoas com encefalite causada por raiva humana entram em coma por tempo prolongado. “A gente sabe que essas pessoas, quando têm encefalite por raiva e entram em coma, é um coma prolongado, por isso que a gente tem que mantê-la sob todos os cuidados possíveis”, disse.

A raiva humana é uma doença transmitida ao ser humano por animais e provocada pelo Rhabdovírus. A doença é classificada como aguda infecciosa viral do sistema nervoso central e pode levar ao quadro de encefalite aguda.

Ações de controle

Uma equipe da FVS fará ações de controle de animal, vacinação de cães e gatos, captura de morcegos hematófagos para coleta de material para exame laboratorial e tratamento com pasta vampiricida para controle  captura de morcegos  nas comunidades Manapana, Lago das Pombas, Floresta, Vista Alegre e Vila Nunes. Também será realizado o registro de pessoas agredidas, assim a Secretaria  de Saúde de Barcelos poderá realizar a sorovacinação profilática.

Conforme a FVS, a previsão  para a conclusão dos trabalhos das equipes em Barcelos é até o dia 30 de novembro.

Contágio e sintomas

O vírus da raiva humana é encontrada em saliva e secreções de animais infectados e os humanos são infectados, geralmente, por mordidas de animais. Os primeiros sintomas da doença são febre, dores e formigamento no local mordido pelo animal. Complicações podem levar à morte.