Publicidade
Manaus
Cotidiano, Incêndio, Corpo de Bombeiros, PROSAMIM

Incêndio na Zona Centro-Sul de Manaus estimulou reclamações contra o Prosamim

Desorientados  por terem perdido tudo, os desabrigados do incêndio no bairro da Matinha acreditam que se já tivessem saído do local, pelo projeto Prosamim, não teriam sido vítimas do incêndio    18/04/2012 às 16:12
Show 1
Moradora lamenta a perda de objetos pessoais e de valor, no incêndio que consumiu dezenas de casas
Síntia Maciel e Eloísa Vasconcelos ---

As moradoras  vítimas do incêndio no Beco Bragança, no bairro Presidente Vargas (Matinha), Zona Centro-Sul, Fátima Lopes, 34; Francisca Lopes dos Santos, 22; Alana Patrícia Pires de Oliveira e Maria Zuleide Pires de Oliveira, 54, em meio ao choro, protestaram contra os constantes adiamentos nas obras do Projeto Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), que deveria retirá-las das áreas alagadiças para casas construídas pelo governo do estado.

A desabrigada  Francisca Lopes dos Santos, disse que havia sempre um adiamento para a retirada.

“Disseram que nós íamos sair em maio, agora fizeram outra reunião pra dizer que só em junho e assim nós fomos ficando, com o rio enchendo e a gente tendo que se virar. Agora estamos sem nada, só com a roupa do corpo por causa do incêndio”, desabafou a dona de casa. Ela morava na casa destruída pelo fogo com seis pessoas e três cachorros.

“ Graças a Deus todos se salvaram!”, disse.

“Eu não quero ir para abrigo nenhum. Quero ir para uma casa, em condições de moradia”. O alerta é de  Maria Zuleide Pires de Oliveira, 54, que perdeu a casa  e um quitinete que havia dado para o marido morar sozinho e que ficava atrás da casa onde residia.  

A filha Alana Patrícia Pires de Oliveira, conta que ninguém ali era contra sair das casas alagadas, porém não aguentava mais as  reuniões de gestores do Prosamim que sempre iam ao local só para avisar do adiamento.

Fátima Lopes, 34, conta que  perdeu tudo. Morava  22 anos na casa de madeira. Soube do incêndio no trabalho. Igual as vizinhas, esperava sair , deixar local pelo projeto Prosamim.

“ Agora estou só com a roupa do corpo”,  desabafou chorando ao lado do colega de trabalho que lhe dava apoio.

A moradora Sebastiana Correa da Silva, 47,  disse que perdeu tudo também mas dá uma sugestão, “se não retirarem a gente daqui, quero pelo menos que nos deem madeira para reconstruir nossas casas e permanecer  no local”.

Investigação social
O titular da Secretaria Municipal de Defesa Civil (Semdec), coronel Ary Renato, confirmou que a área tingida pelo incêndio sofrerá intervenção do Prosamim, entretanto, ele salientou que os moradores que perderam as suas casas não deveriam voltar para o lugar, pois o mesmo se trata de uma área de risco, além de estar comprometida pela cheia. 

As famílias seriam submetidas a uma investigação social, realizada por equipes sa Semdec e da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Seas). 

Ainda segundo ele, a Semdec estava viabilizando a apossibilidade das famílias desabrigadas serem beneficiadas com o aluguel social.

Estudos
O Prosamim, por meio de sua assessora de comunicação explicou que  uma equipe de profissionais do programa se encontra no local fazendo um levantamento da área que, em princípio é considerada área de estudos do Prosamim e “não área de envoltório de obras”. 

Por outro lado a assessoria disse que uma posição definitiva sobre a situação dos moradores no local só poderá ser dada mediante levantamento pericial, já que está sendo cogitada a possibilidade do incêndio ter sido provocado.

“Isso não é a primeira vez que acontece. Já aconteceu a mesma coisa em outra área e ficou constatado que foi incêndio provocado”, destacaou a assessoria.

Ainda na tarde desta quarta-feira (18), a Agência de Comunicação do Governo ( gecom) deverá enviar nota de esclarecimento sobre o assunto à  imprensa.