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Independência do governador do AM é apoiada por prefeituráveis de Manaus

Um dia depois de o governador declarar que é ele quem governa o Estado, prefeituráveis manifestam apoio à posição dele 02/05/2012 às 08:48
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Deputado Pauderney Avelino não acredita em apoio de Omar
LÚCIO PINHEIRO Manaus

Pré-candidatos a prefeito, inclusive os de oposição, ouvidos por A CRÍTICA evitaram polemizar o possível apoio de Omar Aziz (PSD) ao prefeito Amazonino Mendes (PDT), mas afirmaram que o governador, como maior força política no Estado, tem o direito de apoiar o nome que quiser na disputa pela Prefeitura de Manaus este ano.

Declaradamente candidato a prefeito pelo PPS, o vereador Hissa Abrahão disse que, apoiando ou não Amazonino Mendes nas eleições de outubro, Omar Aziz tem demonstrado gratidão ao prefeito de Manaus que foi aliado do governador no início da vida pública dele (Omar).

“Como maior autoridade no Estado, o governador tem o direito de apoiar quem ele desejar. Uma das diferenças perceptíveis que a gente consegue notar é o nível de gratidão de Omar a Amazonino. Diferente do antecessor (senador Eduardo Braga - PMDB), que foi aliado e demonstra um distanciamento muito complicado”, disse Hissa Abrahão.

Na sexta-feira (30), Omar Aziz disse que não descarta uma aliança com Amazonino Mendes. Por sua vez, Eduardo Braga, desafeto político do prefeito, pediu uma postura de “coerência” do governador. E cobrou a fatura por ter colocado Omar na cadeira de governador do Estado do Amazonas. “Espero, sinceramente, que o governador esteja conosco. Afinal, nós estivemos com ele em 2010 e 2008, que foram eleições extremamente importantes para ele (Omar)”, cobrou o senador.

Também decidido a disputar mais uma vez a Prefeitura de Manaus, o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB) afirmou que não vai comentar as movimentações de seus adversários no pleito deste ano. Mas ressaltou que é legítimo cada legenda optar por ter candidatura própria. “Todo mundo tem direito de lançar seu candidato. Mas vamos cuidar da nossa roça. Não temos o direito nem de dar pitaco. Temos é que nos preparar para uma eleição que vai ser difícil”, disse Serafim.

O deputado federal Pauderney Avelino (DEM), que briga para se manter como um dos prefeituráveis, sem se excluir do arco de aliança que orbita Omar e Braga, disse não crer num apoio do governador a Amazonino. “Ele (Omar) me falou que não disse isso (que não descartava o prefeito). Mas ele não deve apoiar o prefeito, por isso não vou comentar”, declarou Pauderney.

Na última sexta-feira, quando foi bajulado pelo PMDB de Braga, em encontro regional da sigla, Omar Aziz teve uma conversa demorada com Amazonino Mendes, por telefone. Na pauta, o abastecimento de água em Manaus, um dos principais temas da disputa eleitoral que se avizinha.

Ao sair da reunião do PMDB, no dia 27, o governador falou a jornalistas sobre a relação com o prefeito de Manaus. Questionado, disse que não o descartava como aliado nas eleições de 2012, e nem se afastaria do mesmo por causa da briga entre Amazonino e Braga.

Eduardo Braga Senador (PMDB)

“O Omar tem direito de se posicionar. Mas esperamos que mantenha coerência e a aliança conosco. Estamos apoiando o governo dele. Participando do governo dele. Também esperamos ter ele na nossa aliança. Eu não posso fazer uma avaliação no campo da hipótese. Espero sinceramente que o governador esteja conosco. A final nós tivemos com ele em 2010 e 2008. Que foram eleições extremamente importantes para ele. Por tudo que ouço da população, vejo que há um desejo de mudança. O Amazonino já fez muito. Mas é hora de dar oportunidade para novas lideranças. É o que acredito. Eu tenho sido coerente. Nas vezes em que nos reunimos (com Omar), não tratamos das eleições em Manaus”.

Senadora (PCdoB) Vanessa Grazziotin

 “Amazonino é passado” A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) afirmou que o prefeito Amazonino Mendes (PDT) é passado para Manaus. “Não conversei sobre esse assunto com o governador Omar Aziz, mas o entendimento do nosso grupo é esse: Manaus precisa de uma renovação”, disse. Apontada como uma das pré-candidatas na disputa pela Prefeitura de Manaus, Vanessa garantiu que, desta vez, não tem interesse no cargo de prefeita da capital amazonense. “Já disputei outras vezes. Mas, este ano, não quero. Acabei de iniciar meu mandato como senadora”, declarou. No último sábado, o PCdoB definiu três nomes de pré-candidatos para apresentar aos aliados. O da senadora ficou fora.

Omar Aziz Governador do Amazonas

“As pessoas pensam” “Não é desmerecendo as lideranças. Mas, em Manaus, o povo vai se influenciar por uma pessoa que possa ir ao encontro dos anseios dele, independente de quem a esteja apoiando. Em 2008, na campanha para prefeito de Manaus, eu tive apoio do Eduardo (Braga, senador) e do Alfredo (Nascimento, senador) e não fui nem para o segundo turno. Não dá para menosprezar o pensamento das pessoas. As pessoas têm sua vontade. Ninguém influencia. O que pode influenciar é uma administração bem avaliada. Eu quando sucedi o Eduardo, vim para um governo que estava com uma administração bem avaliada. Hoje a eleição é municipal”.

Briga aumenta, mas aliança é confirmada

Apesar da proximidade com o prefeito Amazonino Mendes (PDT), Omar Aziz (PSD) afirma que considera difícil ficar de fora do arco de aliança que o elegeu governador em 2010, sob a liderança do senador Eduardo Braga (PMDB). “Acho difícil não estarmos todos juntos”, disse Omar, na última sexta-feira.

O impasse dessa vez é quem comandará o grupo. Pois, ao sentar na cadeira de governador, Omar rachou as forças políticas com Braga. Na última segunda-feira, durante discurso no município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), o governador exigiu respeito a sua liderança política, e repetiu que terá candidato próprio à Prefeitura de Manaus. “Participarei diretamente das eleições em Manaus e quem quiser que me siga”, declarou.

Ao migrar para o recém-criado PSD, Omar Aziz levou junto cinco deputados estaduais, tirando de Eduardo Braga a maior bancada na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM). No interior, 16 prefeitos aderiram à nova sigla do governador.

Na outra ponta, o PMDB do senador Braga controla o Poder Executivo em 24 municípios. E tem uma bancada formada por quatro deputados na ALE-AM. Segundo o vice-governador do Amazonas José Melo (PMDB), no interior do Estado, o acordo entre PMDB e PSD é lançar o candidato com maior condição de vitória.

 Mas o termômetro do embate entre as duas lideranças se reflete na demora em definir o candidato do grupo em Manaus. Perder o domínio político na capital amazonense, que concentra mais de 55,1% (1.166.303 eleitores) do eleitorado do Estado, não interessa a nenhum dos dois.