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Manaus
MANIFESTAÇÃO

Indígenas protestam nas ruas de Manaus por mais participação nas nomeações de órgãos

O grupo percorreu as principais vias da capital, como as avenidas Djalma Batista e Constantino Nery. Eles prometeram outras manifestações nos próximos dias 17/10/2017 às 11:47 - Atualizado em 17/10/2017 às 14:40
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(Foto: Divulgação)
Amanda Guimarães Manaus (AM)

Cerca de 300 indígenas, de 70 etnias, realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira (17) nas principais vias de Manaus, como as avenidas Djalma Batista e Constantino Nery. O grupo reivindica consulta prévia das nomeações dos órgãos indígenas do Estado do Amazonas.

Os manifestantes saíram por volta das 9h da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), localizada na avenida Ayrão, e seguiram com cartazes até o Distrito de Saúde Indígena (Dsei Manaus), na avenida Djalma Batista, na Zona Centro-Sul da cidade.

Um dos líderes do movimento, o cacique Antônio Apurinã, afirmou que mais 200 indígenas devem chegar em Manaus nesta terça-feira (17) para participarem de outras manifestações.

"Estamos reivindicando os nossos direitos, porque os líderes das secretarias indígenas do Estado não nos representam. Queremos ter voz para decidir quem serão os nossos representantes. Os povos indígenas do interior do Amazonas estão sofrendo com o descaso e essa realidade precisa mudar", disse.

O cacique prometeu mais manifestações na cidade nos próximos dias, caso o Governo do Estado não se pronuncie sobre a situação. "Nossos irmãos estão vindo do interior para participar dessa luta. Ficamos na rua, mas queremos conversar com o Governo sobre essa a exoneração dos representantes", completou.

Governo responde

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) informou que pode responder apenas pela Fundação Estadual do Índio (FEI), pois o Distrito de Saúde Especial Indígena (DSEI Manaus) faz parte da estrutura do Ministério da Saúde, e a Coiab é uma organização não-governamental.

Ainda segundo o Governo do Estado, o novo titular da FEI, Amilton Gadelha, tem mantido diálogo com lideranças indígenas desde que assumiu a direção do órgão. O órgão destacou que o titular já esteve reunido por três vezes com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), uma das representantes legítimas do movimento indígena, com a qual discute uma agenda positiva com diversas medidas, entre as quais a realização de uma Assembleia dos Povos Indígenas do Amazonas ainda este ano e o fortalecimento do Conselho Estadual dos Povos Indígenas do Amazonas.

De acordo com a Secom, Amilton Gadelha já se reuniu com lideranças da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime); Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (FOREEIA); Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM); Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro  (AMARN); Federação  das Organizações dos Caciques e Comunidades Indígena Tribo Ticuna (FOCCIT) e Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas (MAKIRA-ÊTA). Também já recebeu manifestações de apoio de organizações como a Associação Marubo de São Sebastião e da Organização dos Povos Indígenas do Alto Rio Negro. 

Por meio da nota, o titular Amilton Gadelha informa, ainda, que está aberto ao diálogo com os legítimos representantes da causa indígena e que a condução da política indígena pelo Estado será fortalecida com a participação desses representantes. O dirigente da FEI disse também que comunicou ao o Ministério Público Federal (MPF-AM) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM) sobre a ocupação da sede da Fundação, na zona norte de Manaus, por um grupo liderado pelo ex-diretor do órgão, Raimundo Nonato Sobrinho. O objetivo é buscar garantias para evitar que pessoas que não representem o movimento indígena tumultuem e atrapalhem qualquer processo de diálogo do Governo com as tradicionais lideranças do movimento.

De acordo com nota divulgada pela Coiab, Raimundo Nonato não representa o movimento indígena e chegou, inclusive, a assinar um Termo de Compromisso com o MPF, em junho deste ano, em que se comprometia a não utilizar o nome Waimiri Atroari ou qualquer outra expressão referente ao grupo étnico como elemento de sua identificação. O descumprimento do compromisso prevê responsabilização criminal.