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Manaus
ASSISTÊNCIA

Indígenas venezuelanos temem o fechamento de abrigo provisório em Manaus

Prazo emergencial para manutenção do acolhimento no bairro Coroado encerra neste mês. Governo e MPF solicitaram recursos do Ministério do Desenvolvimento Social 02/12/2017 às 10:29 - Atualizado em 02/12/2017 às 13:13
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Hoje 31 indígenas vivem no abrigo do Coroado e mais 100 devem chegar (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Álik Menezes Manaus (AM)

Indígenas venezuelanos da etnia Warao que moram no abrigo de acolhimento provisório mantido pelo Governo do Estado no bairro do Coroado, Zona Leste, estão com medo do local fechar definitivamente e eles ficarem sem assistência e sem ter onde morar. O prazo emergencial de seis meses para manutenção do abrigo, determinado pelo Ministério Público Federal (MPF), encerra neste mês. No entanto, estão sendo realizadas reuniões para definir que ações serão adotadas com relação ao abrigo.

Atualmente 31 pessoas moram no abrigo do Coroado, destes 14 são crianças. A possibilidade do abrigo fechar no mês de dezembro, mês natalino quando fala em bondade e  amor ao próximo, tem assustado famílias indígenas. Segundo o cacique Juan Perez, o clima é de medo e eles pedem que os governos os ajudem, mantendo o abrigo. “Estamos tristes porque não sabemos como vai ser daqui para frente. A gente precisa que o governo continue com esse abrigo, ele é importante para a gente. Nós ainda não temos como trabalhar, estão regularizando nossos documentos para a gente poder trabalhar”, disse.

O cacique disse que, até ontem, 31 pessoas moravam no abrigo, mas que na segunda-feira cerca de 100 indígenas estarão chegando em Manaus. “Estamos muito preocupados porque eles vão chegar e vão para onde? Antes ficávamos na rodoviária. Não queremos que eles fiquem morando na rua, queremos que venham para cá também. A crise na Venezuela não está fácil, eles vêm para Manaus para tentar uma nova vida”, contou.

Abel Calderon, também cacique, contou que também está aflito com a possibilidade do abrigo fechar. Segundo ele, muitos indígenas venezuelanos foram para o Estado do Pará por acreditarem que há mais possibilidades de trabalho lá, mas ele acredita que eles devem voltar até o início do ano porque não recebem qualquer tipo de ajuda dos governos. “Queremos que o governo não feche o abrigo. É importante para muitas famílias, será muito triste se fechar, tem mais famílias chegando. Rogamos a Deus que eles continuem com  o abrigo”, disse.

Situação sob avaliação

A CRÍTICA entrou em contato com a Secretaria de Assistência Social (Seas) para questionar como ficou a situação do abrigo, se fechará as portas ou não. A assessoria de imprensa da Seas informou que o prazo emergencial de seis meses foi determinado pelo MPF para que o Estado pudesse atuar, mas que a responsabilidade é da Prefeitura de Manaus. O prazo para a Seas atuar encerra em dezembro.

Contudo, a pasta informou que estão sendo realizadas reuniões desde novembro sobre o futuro do abrigo e, ontem, a Seas encaminhou um relatório preliminar ao MPF sobre o atendimento realizado pelo Governo do Estado.

Coroado é porta de entrada

A Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) informou que o abrigo do Coroado funciona como uma “porta de entrada” dos indígenas em Manaus. “Ao chegar na capital eles são levados para o abrigo do Coroado para receber orientações sobre o que pode e o que não pode na cidade, como a prática da mendicância com o acompanhamento dos filhos. Eles são levados para identificação na Polícia Federal e depois identificados de acordo com a família”.

A nota informa ainda que, posteriormente, eles são levados para uma das casas de acolhimento da Prefeitura de Manaus. “Então, os que estão no abrigo do governo, em determinado momento, serão levados para as casas de acolhimento”, informa a nota.  Atualmente os espaços de acolhimento provisório mantidos pela Prefeitura de Manaus abrigam 79 indígenas venezuelanos.

Questionada se teria como abrigar mais 31 indígenas e os outros que venham a chegar à Manaus, a Semmasdh informou que as casas de acolhimento tem capacidade para abrigar até 200 pessoas e atualmente têm apenas 79.

Sobre onde serão realizadas as “triagens” casos o abrigo do governo feche, a pasta informou que uma equipe técnica avaliaria novas formas de receber os venezuelanos, mas que isso só poderá ser feito caso o Estado oficialize o fechamento dos abrigos.

Prazo junto ao MDS

O Ministério Público Federal (MPF) informou que, em uma reunião realizada no mês de novembro, ficou definido que os órgãos que realizam o acolhimento reuniriam informações sobre esse atendimento e encaminhariam ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) solicitando recursos para que o atendimento continue sendo realizado no abrigo do Coroado. O prazo para reunir essas informações era até ontem.

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