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Manaus
MEDO

Insegurança afasta frequentadores dos espaços públicos de lazer em Manaus

Foram registradas 240 ocorrências em praças da capital até outubro de 2017, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) 27/11/2017 às 07:57
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Bilhares é um dos locais mais temidos. Foto: Arquivo/AC
Joana Queiroz Manaus (AM)

A insegurança está expulsando das praças, parques e passeios públicos pessoas que no início do dia e fim da tarde decidem sair de suas casas para passear com as crianças ou para praticar exercícios físicos. Mesmo com estrutura para essas atividades, esses espaços vêm sendo tomados por assaltantes.

O aposentado Ruy Vasconcelos, 70, é frequentador assíduo do Largo São Sebastião. “Eu chego aqui cedo para a missa das 6h30, tomo café e depois vou namorar, mas não me sinto seguro porque quando eu chego o banco das praças está cheio de usuários de droga tem traficantes e estudantes que fazem bagunça aqui”, reclamou. De acordo com o aposentado, o largo já foi mais seguro.

Para o frei Paulo Xavier, da igreja São Sebastião, um dos prédios que integra o largo, o espaço não é seguro. O religioso disse que muitas vezes os ladrões não dispensam nem mesmo a coleta dos dízimos dos fiéis. “A gente coloca a coleta no cofre de madeira da igreja e já pegamos um cara aqui na praça carregando o cofre nas costas”, disse. Ele contou que acontecem vários tipos de crimes na praça, de furtos até homicídios.


No Largo São Sebastião, ponto mais conhecido de Manaus, há de furtos a homicídios. Foto: Winnetou Almeida

O parque Ponte dos Bilhares, na avenida Constantino Nery, bairro Chapada, é um dos espaços com melhor estrutura na cidade, depois do Calçadão da Ponta Negra, com academia ao ar livre, campo de futebol, quadra esportiva, espaço para caminhada, sorveteria, pizzaria e é arborizado. Porém, quanto mais tranquilo, mais perigoso fica, conforme os frequentadores.

Servidores municipais que trabalham no parque afirmam que todos os dias pessoas são assaltadas ali. Os assaltos acontecem a qualquer hora e muito rápido.

Guardas municipais que cuidam da segurança do local, e que trabalham desarmados, confirmaram a ação dos ladrões e disseram que não podem intervir quando alguém é atacado por ladrões armados. Sem querer revelar os seus nomes, os guardas metropolitanos mostraram de onde surgem os assaltantes e como eles conseguem escapar com facilidade. De acordo com os guardas, os criminosos vêm do bairro do São Jorge, que fica nos fundos do parque.

Os ladrões atravessam o Igarapé do Mindu, pulam a cerca de arame parque para assaltar os frequentadores. “Eles aproveitam qualquer buraco para entrara aqui, assaltam e fogem pelo mesmo caminho”, disse um guarda metropolitano.

Os guardas disseram que costumam informar aos frequentadores do parque que o local mais perigoso fica na parte dos fundos, onde está o campo de futebol. Eles atacam também em outras partes roubando bolsas, dinheiro e celulares.

Número

240 é o número de ocorrências em praças registradas neste ano, no período de janeiro a outubro, de acordo com dados da SSP-AM, que não informou os locais das ocorrências. A maioria foi de roubo (134).

Passear no Mindu exige atenção e muito cuidado

A sensação de insegurança de quem frequenta o Passeio do Mindu, no bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus, não é diferente dos que frequentam os demais espaços públicos da capital. Assaltos no local acontecem diariamente, segundo os relatos, principalmente quando o espaço está menos movimentado.

Na última terça-feira, o ferreiro Leocir Lopes da Silva, 49, estava chegando para trabalhar no passeio público quando foi abordado por dois assaltantes que estavam de bicicleta, e de acordo com ele, como se estivessem passeando por lá. De acordo com o relato do ferreiro, os homens mostraram armas de fogo e o obrigaram a entregar o telefone celular.

Estudantes que usam o espaço como caminho para chegar às escolas afirmaram para a reportagem que os assaltos são constantes e que caminhar por ali exige atenção e cuidado.

Centro Histórico

O Parque Jefferson Peres está a poucos metros do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no Centro Histórico  de Manaus, e mesmo assim é considerado um espaço inseguro por quem costuma frequentar o local. A praça possui coretos, bancos e pista para caminhadas. O acesso à Internet por meio do Wi-Fi é o atrativo principal do local.


Parque Jefferson Peres fica ao lado de uma delegacia e nem isso inibe os criminosos. Foto: Gilson Mello/freelancer

O vendedor Luiz Lima Coelho disse que quando está sem Internet vai ao parque para ter acesso, mas sempre com muito medo e cuidado.  “Aqui é muito perigoso. Nunca fui assaltado, mas já vi pelo menos cinco pessoas sendo roubadas aqui”, disse.

Williams Reis, 27, também costuma frequentar o parque e disse que já foi assaltado no local. “Eu estava com uma amiga aqui, era por volta das 17h, quando chegou um homem e pediu informação de nós e saiu. Depois ele voltou, anunciou o assalto levantando a camisa e mostrando um revólver na  cintura. Ele pegou os nossos celulares e foi embora”, contou.

Dois dias após ser reinaugurada, a Praça 15 de Novembro, ou como é mais conhecidada: Praça da Matriz, foi cenário de um tiroteio que deixou pelo menos três pessoas feridas, vítimas de balas perdidas.

Nívea Maria de Carvalho Solimões, 34, Agnaldo Márcio da Silva, 44, e o gari haitiano Carnon Nelson, 36, ficaram no fogo cruzado, no último dia 17, durante um acerto de contas e acabaram sendo alvejados. O alvo de cinco criminosos era Vanildo Porto da Silva, 34, que foi atingido com um tiro nas costas e foi hospitalizado.

No mesmo dia, dois suspeitos identificados como Maximo Ferreira Santos, 23, e Richarlison Pereira Antunes, 29 foram presos em flagrante com um revólver calibre 38. Eles foram capturados dentro do bar, na região conhecida como Itamaracá, também no Centro de Manaus, após se passarem por clientes.

Nova estratégia de policiamento

O calçadão do Complexo Turístico da Ponta Negra é onde a população se sente mais segura. Além de toda estrutura que o local possui, a segurança está satisfatória, de acordo com o motorista do aplicativo Uber Tiago Puty, 31.  Ele disse que é natural de Belém e, que no geral, Manaus é uma cidade segura.


Ponta Negra conta com ciclopatrulhamento. Foto: Winnetou Almeida

Tiago disse que costuma passear no calçadão e que nunca foi assaltado e nem viu alguém sendo atacado por criminosos. A comerciante Vera Lúcia Mendes, 48, também acha o calçadão seguro. “Eu costumo passear com o meu marido e me sinto segura”.

O chefe do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), Wirley Abdalla, disse que na maioria desses locais a segurança é feita pela Guarda Municipal Metropolitana e muitas vezes compartilhada com a Polícia Militar.

De acordo com o comandante, a segurança está sendo reforçada com o ciclo patrulhamento, que é o policiamento com bicicletas voltado aos parques e áreas de lazer. O modelo já está funcionando na Ponta Negra, onde há uma base montada e também no Centro da cidade e a ideia é expandir para o Passeio do Mindu.

De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), já está sendo adotada nova estratégia de policiamento para as praças públicas de Manaus que conseguiu reduzir os indicadores de roubos e furtos no último mês. Nas praças do Centro da cidade, que recebem o maior número de frequentadores, a Polícia Militar passou a atuar com policiais a pé (Cosme e Damião) e com o ciclo patrulhamento.

Essa medida ajudou a reduzir de 12 para quatro a quantidade de furtos e de 25 para 20 a quantidade de roubos em outubro, na comparação com setembro.

O comandante-geral da Polícia Militar, David Brandão, informou que a corporação manterá a estratégia de reforço policial nas praças do Centro e, no Parque dos Bilhares, a determinação é que a 22ª Cicom, responsável pelo policiamento na região, implante imediatamente o policiamento a pé. Essa medida visa maior integração com a Guarda Municipal que atua no parque.