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Interno morto em centro sócio-educativo de Manaus foi vítima de tiro de arma de fogo

Laudo emitido pelo IML a pedido do MPE apontou que Tatiano Amorim Guimarães, 20, foi vítima de disparo de arma de fogo 05/06/2012 às 08:49
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Família de Tatiano, que morreu dentro do Centro Sócio-Educativo Dagmar Feitosa, diz que vai abrir uma ação contra o estado por conta da morte do interno
Ana Paula Sena Manaus

A causa da morte do interno Tatiano Amorim Guimarães, 20, ocorrida dentro do Centro Sócio-Educativo Dagmar Feitosa, no Alvorada, Zona Centro-Oeste, no dia 29 de maio,  foi desvendada após o resultado do segundo laudo definitivo realizado por legistas do Instituto Médico Legal (IML). Tatiano morreu em decorrência de ferimento feito por arma de fogo. Na ocasião, o laudo preliminar do IML indicou que o adolescente tinha sido vítima de arma branca ainda não identificada. Entretanto, em depoimento, dois adolecentes disseram que Tatiano havia sido vítima de arma de fogo.

O segundo laudo, divulgado nesta segunda-feira (4), foi solicitado pela promotora da Infância e da Juventude Lisandra Chíxaro depois de uma visita que ela realizou ao abrigo, após a morte do detento, onde ouviu de alguns internos que Tatiano tinha sido morto por tiro, e não por arma branca. A segunda autópsia foi autorizada pelo juiz da Infância e da Juventude, Bismarck Gonçalves Leite.

A mãe do jovem morto, Alcinete Amorim Guimarães, 43, afirma que, com o resultado do laudo definitivo, a família vai dar continuidade ao caso. O advogado Claudionan Pereira ficará responsável pela ação. “Queremos que tudo seja esclarecido. Por que eles inventaram que meu filho morreu por arma branca? Vamos pedir uma indenização na Justiça contra o Estado”, disse.

Sobre os resultados diferentes dos dois laudos, a mãe de Tatiano relata que a família procurou a direção do IML, que alegou que o erro ocorreu porque o médico que realizou a primeira necropsia já havia feito outras duas, no mesmo dia, e confundiu os resultados: “O médico legista teria se confundido e, na hora de preencher o laudo, colocou que a morte tinha sido provocada por arma branca”, afirmou a mãe.

Seas
A secretária executiva da Secretaria de Assistência Social (Seas), Graça Prola, disse que não irá se manifestar sobre o assunto enquanto o laudo do IML não for encaminhado ao órgão. “Ainda não recebemos o laudo e, por isso, não posso falar sobre o assunto agora. Vou entrar em contato também com a promotora que solicitou a segunda autópsia para saber quais serão os próximos procedimentos e, assim, dar uma resposta à população”

Tatiano Amorim cumpria medida socioeducativa por tráfico de drogas.

Encaminhado
A ambulante Alcinete Amorim Guimarães, 42, disse, em março, que Tatiano ficou foragido da polícia durante seis meses. Na época, ele foi levado para o 27º Distrito Integrado de Polícia (DIP), de onde foi encaminhado para a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (DEAAI). De lá, ele seguiu para o Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa.

Denunciado para continuar vivo
Tatiano Amorim Guimarães foi entregue pela própria mãe à polícia no dia 21 de março para ter a vida preservada. Ele era foragido do Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa.

Segundo Alcinete Amorim Guimarães, o filho estava devendo R$ 1 mil a um traficante conhecido como “Passarinho” e poderia ser executado a qualquer momento.

Na ocasião, o padrasto de Tatiano disse à reportagem que várias pessoas entraram em sua residência durante a madrugada e promoveram um ‘quebra-quebra’ na casa.