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Invasores vivem em condições degradantes em rotatória de Manaus

Governo do Estado e prefeitura não sabem o que fazer com 50 famílias que ocuparam uma área pública na Zona Norte 23/02/2012 às 19:40
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Condições de higiene e segurança são as piores possíveis no acampamento onde vivem crianças e idosos
Milton de Oliveira Manaus (AM)

Quase dois anos depois da ocupação da rotatória entre os conjuntos João Paulo 2, Buriti e Cidadão 12, Zona Norte, aproximadamente 50 famílias ainda esperam que os governos estadual e municipal tomem providências para que elas possam viver dignamente. Na manhã de ontem, elas voltaram a pedir moradias dignas, depois de passar medo, devido à chuva da madrugada de ontem.

Segundo os invasores , a única coisa que mudou foi o número de famílias na rotatória. "Muitos foram embora para casas de parentes, porque não aguentaram as condições horríveis de moradia. Tudo aqui é precário. Fazemos nossas necessidades no mato, correndo o risco de ser mordidas por cobras, tomamos banho e lavamos roupa em duas torneiras", disse a dona de casa Eliene Pereira, 32. Apesar da longa chuva só um barraco teve o teto de plástico rasgado.

A assessoria da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) informou que aquelas famílias não se encaixam no que eles chamam de “finalidade emergencial do município”. “Aquilo é uma situação irregular, não é uma situação emergencial”, disse o órgão. Ainda conforme a Semasdh, a situação emergencial surge quando há incêndios, catástrofes atmosféricas e casas em barrancos, e que o caso corresponderia ao Estado.

O governo comunicou por meio da assessoria da Superintendência de Habitação (Suhab), que a invasão  “está em via pública”, e que, por isso, a solução dessa situação é atribuição da  prefeitura. Disse também, que ainda não há um programa social para a retirada das famílias do local.

Para a dona de casa Eliene Pereira, 32, que tem dez filhos, outro problema dos assentados da rotatória é o desprezo dos órgãos públicos. “Uma vez, eu passei mal, com problemas de pressão alta. Liguei para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e, quando falei que morava na rotatória, eles desligaram”, disse.

Ela contou também, que gostaria de sair do local, mas está desempregada e o que ganha o marido como ajudante de pedreiro, não permite que eles paguem um aluguel.

As famílias assentadas têm problemas com alguns moradores dos conjuntos próximos. “O que eu não gosto é que eles quando vêm tratar peixe ou tomar banho, deixam um lixaral no local”, disse a moradora do Conjunto Cidadão 12, Paula Miranda, 33. Ainda segundo ela, os restos de comida e fraudas sujas atraem urubus e baratas para frente da casa dela.

Excluídos
Conforme a Semasdh, aproximadamente 500 famílias do município de Manaus estão cadastradas em programas de auxílio moradia porque se encontram em situação emergencial. Já para os moradores da rotatória do João Paulo II, Zona Norte, “não existe nenhum programa para eles” conforme a secretaria.