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Iphan isola área em Manaus com urna funerária de dois mil anos

Sítio arqueológico em conjunto residencial é considerado um sítio cemitério. Há várias urnas semelhantes, diz arqueológo 03/12/2012 às 20:02
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O sítio na área foi descoberto em 2006
Elaíze Farias Manaus (AM)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) isolou nessa segunda-feira (03) a área onde foi encontrada em um sítio arqueológico na zona Sul de Manaus uma urna funerária pré-colombiana (com data aproximada de dois mil anos)  de grande porte no último sábado (01). O objeto foi achado no terreno particular do conjunto Atílio Andreazza, no bairro Japiim, durante escavação para obras de reforma feita pelo proprietário do local.

Desde a descoberta do sítio daquela área, em 2006, foi a primeira vez que uma urna inteira foi encontrada, segundo o arqueólogo Carlos Alberto Silva, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Até então, as urnas eram identificadas pela sua circunferência (bases do objeto).

No dia da descoberta, o proprietário disse que teria encontrado ossos humanos dentro da urna, além de um fragmento do objeto representando a cabeça de um animal.


A arqueóloga do Iphan, Elen Barros, afirmou que será preciso “uma equipe” para fazer a retirada da urna devido a seu tamanho enviá-la para uma instituição que faça a sua salvaguarda. Não há previsão para a retirada da urna. Elen disse apenas que “será o mais breve possível”.

Enquanto isso, o dono do terreno não poderá fazer intervenção na área.

A arqueóloga também criticou a retirada dos ossos humanos da urna, que teria sido feito por funcionários do Instituto Médico Legal (IML) após este ter sido acionado pela polícia. Ela afirmou que o correto era o IML ter acionado o Iphan para realizar os procedimentos.

“O IML ajudou da maneira que achou melhor. Mas não eram ossos humanos de um acontecimento recente, mas sim um material arqueológico. Deveria ter nos chamado para fazermos a retirada dentro da metodologia. A gente vai providenciar para que o material seja enviado para o Ipham”, disse ela. 

Ameaças

O sítio arqueológico do conjunto Atílio Andreazza é cadastrado no Iphan desde 2006. Ele está na categoria de sítio-cemitério (outros podem ser sítios habitação, sítio de oficinas de artefato, sítios de cerâmica, etc).

Conforme Carlos Augusto Silva, que realizou o cadastro do sítio, a área “tem bastante urnas funerárias” com ossada humana. Os ossos, porém, estão fragmentados, conforme a técnica utilizada pela população da época. “Eles faziam um ritual e botavam fogo para os ossos ficarem chamuscados, num processo chamado calcinação”, explica.

O sítio do Atílio Andreazza também corre o risco de desaparecer enquanto os órgãos públicos (federal, estadual e municipal) não realizar um processo de salvaguarda dos objetos. Além de estar debaixo de casas, o local também é área de passagem de veículos pesados. “O ideal era retirar tudo, proteger e colocar num museu para visitação pública”, afirmou.

A arqueóloga Helena Lima, que também participou da identificação do sítio em 2006, disse que desde o diagnóstico realizado pela equipe, nada foi feito no sítio para protegê-lo. “A retirada é a proteção mais eficaz. O Iphan poderia acionar as universidades para fazer o trabalho de pesquisa”, disse.

IML

Sobre a suposta retirada dos ossos, o IML, por meio da assessoria de imprensa da Polícia Civil enviou a seguinte nota:

“A Polícia Civil do Estado do Amazonas, por meio da Assessoria de Imprensa, informa que o Instituto Médico Legal (IML) recebeu, no dia 01 de dezembro de 2012, um chamado para verificar uma suposta ossada encontrada no bairro do Japiim.

Após análise no local, os técnicos verificaram que os materiais encontrados se tratavam de resíduos de cerâmica. A peça de cerâmica, parecida com uma cabeça, colaborou para que o proprietário do terreno suspeitasse ser uma  ossada. Os técnicos tiraram fotos e se retiraram do local sem levar nenhum resíduo. Eles também acionaram o Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS) e  relataram que o fato não era de responsabilidade do IML”.