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Irregulares invadem calçadas e ruas na ‘Feira do Mutirão’, na Zona Leste

Enquanto a Prefeitura de Manaus se prepara para a última fase de retirada de camelôs das calçadas no Centro, em outras áreas comerciais da cidade irregulares continuam sendo feitas 17/04/2016 às 19:00 - Atualizado em 18/04/2016 às 10:21
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Segundo a presidente da feira do Mutirão, Kelly Uchôa de Castro, os cerca de 50 ambulantes localizados na área externa da feira são irregulares e não fazem parte da lista cadastrada na Subsempab (foto: Márcio Silva)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

No ano passado, centenas de camelôs foram retirados das ruas do Centro e realocados em galerias populares, amenizando um problema que se arrastava por décadas. Embora a mudança tenha provocado opiniões contrárias, tanto entre os trabalhadores quanto na população, a medida deu certo, mas ainda não contempla outras zonas da cidade. O retrato desse abandono é observado na “famosa” feira do Mutirão, no bairro Amazonino Mendes, Zona Leste de Manaus.

Todos os dias a avenida Penetração perde parte do espaço para dezenas de vendedores ambulantes, os quais comercializam produtos que variam desde frutas e carnes até perfumes, acessórios para celular e roupas. Eles já possuem um “ponto” marcado na via, mas contam que sairiam do local caso a prefeitura oferecesse uma solução para o problema, que prejudica pedestres, motoristas e comerciantes donos de lojas na avenida.

“Alguns atrapalham, com certeza. Por eles venderem por um preço mais barato e estarem no meio da rua, é mais fácil para o cliente ir neles primeiro”, avaliou o comerciante Júnior Andrade.

‘Não fazem parte’

Segundo a presidente da feira do Mutirão, Kelly Uchôa de Castro, os cerca de 50 ambulantes localizados na área externa da feira são irregulares e não fazem parte da lista cadastrada na Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab). Ela conta que os vendedores já foram notificados pelo órgão, porém permaneceram no local ilegalmente. Apesar do transtorno na venda, ela critica a postura da prefeitura por não encontrar uma solução. “Independente deles serem ilegais, são seres humanos que precisam de um canto pra trabalhar, mas a prefeitura não vê isso. O meu desejo é que tirem eles dali e nos deem uma estrutura melhor. Porque sem venda e sem teto, fica muito difícil”, declarou. 

Novo espaço

A Sempab confirmou que os ambulantes já foram notificados pela venda irregular, mas acabaram voltando para a via pública. O órgão informou que chegou a conversar com os ambulantes sobre a possibilidade do grupo migrar para o camelódromo “Shopping T4”, no entanto, eles teriam se recusado a sair da avenida. Agora, segundo a secretaria, somente os ambulantes que sobraram no Centro da capital devem ser realocados no empreendimento, com capacidade para 750 lojas.

A versão é diferente da contada por alguns comerciantes. “Eu não me enxergo como um problema aqui. Já chegaram a falar que tirariam a gente daqui pra ir pro shopping T4, só que até agora nada aconteceu”, conta a vendedora Milaiane Vieira, que vende produtos de beleza há um ano na localidade.

Questionada se a mudança teria efeitos positivos, ela afirma que seria necessário se readaptar.  “Lá seria difícil, sim, com certeza. Não me adaptaria fácil... Aqui é ‘povão’, as pessoas já conhecem o nosso trabalho, mas ninguém quer ficar sem trabalhar não é?”, ponderou a comerciante.

Ainda de acordo com a Sempab, uma nova operação em conjunto com vários órgãos deve acontecer no local, ainda em abril.

Shopping T4 pronto até junho

De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), a previsão para a  entrega do shopping T4 é para o primeiro semestre deste ano. O órgão informou que 90% dos trabalhos estão concluídos.