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Juiz-prefeito de Manaus declara: ‘Sou uma nuvem passageira’

Mais antigo juiz da cidade, Lafayette Carneiro Vieira Junior assume Prefeitura de Manaus e avisa: não vai mexer em nada   10/04/2012 às 09:11
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Juiz Lafayette Vieira Junior tomou posse ontem como prefeito de Manaus após ter recebido comunicação por telefone
kleiton renzo Manaus (AM)

O juiz mais antigo da capital, Lafayette Carneiro Vieira Junior, assumiu nesta segunda-feira (9) o comando da cidade.  Lafayette chega à prefeitura diante da impossibilidade de os vereadores da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Manaus (CMM) assumirem a cadeira já que todos eles são candidatos à reeleição e, nessa condição, estão desde o dia 7 último impedidos de substituir o prefeito Amazonino Mendes (PDT) quando ele se ausentar. Se o fizerem tornar-se-ão inelegíveis de acordo com entendimento vigente sobre  a Lei 64/1990.

A Lei Orgânica do Município de Manaus (Loman) afirma que, na ausência do prefeito, quem deve assumir a prefeitura é o vice-prefeito, e, na ausência deste o presidente do Poder Legislativo, e na impossibilidade deste, viriam os primeiro e segundo vice-presidentes da CMM e por fim o juiz mais antigo da capital.

No caso de Manaus, o vice-prefeito eleito Carlos Souza (PSD) pediu afastamento do cargo para disputar, em 2010, uma vaga como deputado federal, e os vereadores não podem assumir o cargo de prefeito nos seis meses que antecedem as eleições, sob a pena de ficarem inelegíveis. Em função dessa situação, assumiu o juiz mais antigo.

“Eu recebi a comunicação por telefone, só que eu não poderia abrir a prefeitura na quinta-feira já que era ponto facultativo em função do feriado da sexta. Estou aqui hoje (ontem), para me inteirar de algumas coisas para que a prefeitura não pare”, disse Lafayette Carneiro Vieira, ontem, em entrevista coletiva na sede da prefeitura.

Nuvem passageira

Durante a passagem pelo Executivo, que deve terminar hoje ao meio-dia, o juiz irá assinar apenas decretos e despachos considerados de pouco relevância. De acordo com a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), para o período o juiz deverá assinar 56 decretos de “médio expediente”, em outras palavras, as situações que envolvam algum caso de emergência ou urgência deve esperar pela autorização de Amazonino Mendes.

“Eu não vou mexer em nada, até porque não posso mexer mesmo. O prefeito é o Amazonino Mendes, e para não acontecer uma coisa de eu fazer e ele desfazer ou vice-versa. Não vou mexer. Como diria o poeta, eu aqui sou uma nuvem passageira”, disse.

O juiz-prefeito deixou claro que não irá se meter em “política” enquanto estiver à frente do Executivo. Lafayette disse que assumirá a Prefeitura de Manaus apenas para cumprir a “parte administrativa”. “Eu não vou nomear e muito menos exonerar ninguém. Com toda sinceridade, eu não tenho o mínimo tino político. Não vou nesse negócio de fazer visita. Esse trabalho de político não é meu mitiê”, avisou.

Apenas o novo secretário de Esporte, Lourenço Braga, esteve na sede da prefeitura para conversar com o juiz-prefeito. Lafayette informou que nenhum outro secretário o procurou durante o dia.

 Salário de substituto é R$ 3.399

 Pelos seis dias que ficou à frente da Prefeitura de Manaus, o juiz Lafayette Carneiro Vieira Junior irá receber pelo menos R$ 3.399,96. O valor, no entanto, não foi confirmado pela Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), mas tem como base o valor do salário do prefeito de Manaus que é de R$ 17 mil, dividido pelos 30 dias de abril.

O prefeito Amazonino Mendes (PDT) abriu mão do salário de prefeito para continuar recebendo a pensão vitalícia como ex-governador, que também é de R$ 17 mil.

De acordo com Semcom, o prefeito Amazonino Mendes tem retorno marcado para Manaus ao meio dia de hoje. Até lá, o juiz Lafayette continua despachando como prefeito.