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Juros altos castigam consumidores Amazonenses

Nas compras a prazo, quem atrasa o pagamento da fatura além 30 dias é obrigado a pagar até 16% de juros ao mês 18/10/2012 às 07:58
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Há casos em que os juros cobrados nas prestações em atraso superam em quase 30 vezes a taxa básica de juros, a Selic
LUANA GOMES Manaus

Na tentativa de parcelar as compras, muitos consumidores aderem aos cartões de redes varejistas sem prestar atenção nos encargos financeiros. Conforme pesquisa de A CRÍTICA, há casos em que os juros cobrados nas prestações em atraso superam em quase 30 vezes a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida em 7,5% ao ano (ou seja, 0,63 ao mês), e chegam a 16% ao mês.

Na Bemol, os clientes com o cartão da rede não pagam juros nos financiamentos até quatro parcelas. Porém, a partir desse prazo, os juros saltam, saindo de 2,2%/mês (para cinco prestações) até chegar a 7,0%/mês (para dez).

Nos casos de atraso das prestações, o juro de mora está em torno de 12% ao mês. Segundo a gerente do Departamento de Administração, Rosália Araújo, o valor é “de fato mais alto que o de crediário, pois envolve custos de cobrança e outras ações, mas está alinhado com o praticado pelas demais empresas do segmento, com as financeiras, administradoras de cartões de crédito e com os juros de cheque especial dos bancos”.

Na C&A, de acordo com informações de vendedores responsáveis pelo contrato dos cartões, os juros cobrados nas faturas dos cartões da loja são de 6,9%, chegando a 16% no caso de prestações em atraso. Na Ferragens Paraíba, o cartão Use Mais apresenta taxas de 9% ao mês. Além disso, o consumidor precisa pagar uma taxa de R$ 3,99 em cada prestação escolhida. Se escolher parcelar a compra em dez vezes, o cliente deve quitar a compra com um incremento de R$ 39,90 apenas pela cobrança da taxa.

Consumidor

A professora Nathalia Souza optou por aderir a cartões da rede Riachuelo e Bemol, em uma época que ganhava pouco e precisava parcelar as compras para “não sentir tanto o peso da dívida no final do mês”. Ao analisar a fatura da Riachuelo, ela comentou que os juros variam de 12,50% até 16,50% ao mês. Por sinal, no levantamento de A CRÍTICA, foi observado que os vendedores fazem questão de “esconder” o valor dos juros mensais.

Nathalia ponderou que enquanto optava por parcelas menores não sentiu as taxas no bolso, mas aos dividir a compra de R$ 327 em oito vezes, percebeu a diferença. Se fosse em um “cálculo normal”, a parcela sairia em torno de R$ 40,87. No entanto, ficou em R$ 64,90. Desta forma, o valor mais que dobrou, ficou 58,77% maior, saltando para R$ 519,20.

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, disse que as taxas são apenas questão de segurança de recebimento. “Na verdade as empresas não querem viver de juros”, avaliou, ao ressaltar que nos casos dos que pagam na data a empresa oferece descontos, como retirada dos juros.