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Manaus
Construção civil dengue

Larvas do mosquito da dengue tem local propício para proliferação em canteiros de obras de Manaus

Estudo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) apontou alta incidência de larvas em locais de construção 02/02/2012 às 10:24
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Proporção de mistura do cal com o cloro em um pouco de água deve ser aplicada em cada metro quadrado da obra
Milton de Oliveira Manaus

Canteiros de obras em Manaus são lugares propícios à proliferação de larvas do mosquito da dengue, o Aedes aegypti. O desenvolvimento aconteceria no interior de produtos descartados por construtores da obra e em ambientes do prédio. A informação foi constatada por meio de estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

De acordo com o pesquisador responsável pelo laboratório de malária e dengue do Inpa, Wanderli Pedro, o estudo começou a partir de uma vistoria em um condomínio da cidade. “Em 2010, para nossa surpresa, os mosquitos que existiam no condomínio eram Aedes aegypti. Então, começamos o trabalho de prevenção para evitar uma possível epidemia”, afirmou.

 Ainda segundo ele, a rotina da construção civil adota procedimentos que acumulam água, fazendo do ambiente da obra, criadores ideais para a proliferação do mosquito. “Verificamos que o mosquito está desde o térreo até a cobertura. Constatamos que em 21 pavimentos de um prédio, havia várias larvas do mosquito. Só em uma lata com resto de cimento havia mais de 20 mil larvas”, disse.

Durante palestra na manhã de quarta-feira (01), no auditório do Serviço Social da Indústria da Construção Civil (Seconci), para representantes das empresas do setor da Construção Civil, órgãos estaduais e municipais, o pesquisador do Inpa afirmou também que o mosquito transmissor da dengue é um “mosquito urbano” e o da malária é “silvestre”.

O antídoto

Segundo a equipe de pesquisadores do Inpa, a mistura do cal (óxido de cálcio) com o cloro (o mesmo que se usa em piscinas), é a combinação ideal para combater o mosquito. “É uma mistura não diluída, com uma proporção de oito copinhos de café com cal para dois de cloro. Mistura-se tudo isso em um copo de água de 180 ml e se aplica em cada metro quadrado da obra”, destacou Wanderli Pedro.

Ele disse também que o método é eficiente tanto para evitara eclosão dos ovos do mosquito, quanto para provocar a morte das larvas.

Canteiros em situação vulnerável

De acordo com o assessor técnico do Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Vanderson Sampaio, há uma estimativa de que 300 construções de grande porte estão sendo executadas em Manaus. “A secretaria estará fazendo uma fiscalização nessas obras, com possíveis multas, que podem chegar a R$ 30 mil e, em caso de reincidência, dobrar”, enfatizou.

Para o vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Manaus (Sinduscon), Frank Souza, os canteiros de obras são vulneráveis. “Há outros fatores como os igarapés próximos da área das obras, que levam a todas as construtoras a tomar medidas contra focos do mosquito e evitar doenças”, afirmou.

O Seconci informa que algumas construtoras possuem uma “brigada contra dengue”, que faz a aplicação da mistura do cal com o cloro nos canteiros de obras, bem como o fumacê uma vez por semana.