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Cotidiano, Cultura, Literatura Amazonense, Semana de Literatura, Gaetano Antonaccio

Leitores "perdidos" são o alvo da Semana de Literatura Amazonense, deste ano

Evento terá como homenageado o escritor Gaetano Antonaccio, que dispõem de 114 obras publicadas 06/04/2012 às 12:48
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Para Antonaccio Gaetano é necessário que os alunos conheçam a literatura produzida pelos autores do Amazonas
Carolina Silva Manaus

Na mochila da escola um tablet de última geração com conexão wireless. Um celular moderno com acesso à internet no bolso. Com a tecnologia em mãos, permitindo o acesso a tantos conteúdos que despertam o interesse dos jovens, como se entregar à uma boa leitura, folheando aquelas centenas de páginas? Se olharmos em nossa volta, é possível percebermos que a leitura não está entre as prioridades da nova geração.

Muitos afirmam que leem por obrigação escolar. Outros chegam a se referir à leitura como desperdício de tempo.

“Hoje tem tudo na internet. Os jovens procuram tudo para ler no mundo digital”, critica o escritor e poeta amazonense Gaetano Antonaccio. Referência nas poesias de amor, Antonaccio é o escritor homenageado da edição da Semana de Literatura Amazonense deste ano, que se encerra no próximo dia 14, em todas as escolas municipais de Manaus.

Aos 72 anos, já são 114 obras publicadas e mostrando o talento para o Amazonas, Brasil e, ainda, para o mundo.

“Desde criança me interessei pela leitura. E aos 8 anos já começava escrever poesias e depois não parei”.

Para Gaetano, não é somente em casa que deve partir o estímulo a um dos grandes prazeres da vida. Dedicar tempo e concentração aos livros literários, e se permitir viajar em histórias de amor, aventura, terror ou drama, deve estar presente na unidade de ensino também.

“As escolas precisam muito trabalhar em cima disso para resgatar esse hábito nos jovens de hoje. Falta alguém para mostrar o exemplo. Um evento como uma semana de literatura, por exemplo, desperta esse interesse”, comenta Antonaccio.

A adolescente Melissa Viana, 15, admite que trocar SMS com as amigas, ler os recados no facebook ou postar no microblog twitter são mais atraentes que um livro com mais de 5 centímetros de espessura, mas reconhece que nas poucas vezes que se permitiu dedicar a uma boa leitura gostou da experiência e recomendou aos amigos.

“Ao ver aquele livro com tantas páginas em que parece que não vou acabar de ler nunca, já dá uma preguiça. Mas quando me dedico percebo que é prazeroso mesmo se envolver com a história que estamos lendo porque estimula a nossa imaginação também”, conta Melissa.

“O futuro de nosso legado literário está nas mãos desses novos talentos. Também se consegue encontrar novos talentos para dar continuidade a essa visibilidade da nossa região por meio da literatura”, ressaltou o escritor amazonense.

Homenageado
Personagem Gaitano Antonaccio nasceu em Manaus no dia 28 de janeiro de 1940. Formou-se em Contabilidade e Direito pelo Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O escritor e poeta pertence a várias academias, destacando-se, a Academia Brasileira de Ciências Contábeis, Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR) Academia de Letras de Irajá do Rio de Janeiro.

Lei
Este ano a Semana de Literatura Amazonense chegou em sua sétima edição para divulgar e promover em todas as escolas da rede municipal ações que valorizem a literatura local e seus escritores. O evento literário foi instituído em 2005 com a Lei Municipal nº 882 de 19 de setembro. De acordo com a coordenadora, Loana Portela, a semana literária tem incentivado o aparecimento de novos talentos.

“Os alunos passam a ter contato com as obras e também começam a escrever poesias e desenvolver atividades voltadas para a literatura”, avaliou a coordenadora.

O secretário municipal de Educação, Mauro Lippi, também afirma que “essas atividades são importantes para colocar em exposição a literatura amazônica fazendo com que o contato com literatura cresça”.

Incentivo
Para o escritor amazonense Celso Braga, falta ainda incentivo nas bibliotecas.

“Tenho percebido, nos dias de hoje, nas escolas em que tenho contato com os jovens, que não há um interesse muito efetivo pela chamada literatura complementar”, salienta.

Em sua avaliação, na condição de poeta, é raro ver essa nova geração com interesse pelas obras de escritores da região e nem de fora.

“Também acredito que um dos motivos é esse acesso facilitado à internet que afasta esse interesse pelo livro de literatura da juventude. Também tem a questão da falta de incentivo nas bibliotecas das escolas”, observa.

Para ele, a leitura se torna interessante quando cria-se projetos que oferecem um espaço nas escolas para que os alunos tenham esse contato mais próximo com esses livros.

“A partir daí, cria-se o hábito da leitura complementar, um importante meio de aprendizado para esses jovens. Também é interessante o contato com a literatura regional”, avalia.