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Língua Brasileira de Sinais aproxima médicos e comunidade do AM

Para auxiliar no tratamento dos pacientes com problemas auditivos médicos amazonenses aprendem Libras 13/02/2012 às 07:24
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A médica da Família Nayra Almeida da Silva, repassa a seus pacientes orientações e ensinamentos importante através de Libras
Júlio Pedrosa Manaus

No seu dia a dia, a médica da Família Nayra Almeida da Silva, 30, está acostumada a lidar com toda sorte de situações. Seja realizando atendimentos domiciliares ou no ambulatório do Módulo de Saúde da Família Josephina Melo, onde trabalha no Jorge Teixeira 2, Zona Leste, ela  repassa aos seus pacientes orientações e aconselhamentos importantes sobre higiene, métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis, pré-natal, tendo sempre a fala como principal instrumento de trabalho. Mas, desde o ano passado, a médica passou a se valer de mais uma ferramenta de comunicação: a Libras (Língua Brasileira de Sinais), por meio da qual passou a estreitar o relacionamento com os deficientes auditivos da comunidade.

A médica explica que, na sua atividade, a proximidade com os moradores do bairro é muito maior do que a de outras categorias de profissionais. “Lido muito de perto com a realidade da comunidade, seus anseios e receios, e um dos requisitos básicos para que o trabalho surta o efeito desejado é adquirir a confiança das famílias, e a Libras acabou se tornando uma ferramenta a mais nesse processo”, avalia Nayara, que atua há três anos como médica do Programa Estratégico de Saúde da Família, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

Nayara é uma das 104 profissionais da rede básica, entre médicos, assistentes sociais, psicólogos, técnicos de enfermagem e atendentes, capacitados na lingua dos surdo-mudos. Segundo ela, mesmo que tenha sido um curso básico, ter aprendido a dirigir um cumprimento, perguntar o nome, ou simplesmente se apresentar e dar as boas vindas a um portador de surdez faz toda a diferença. “Os deficientes auditivos antes quase não olhavam pra gente, e pouco vinham à unidade porque havia uma distância que os separava dos demais”, explica a médica, que hoje atende a dez deficientes auditivos residentes na micro-área do Módulo da Saúde Josephina de Melo, com aproximadamente 4,5 mil habitantes. Ela acredita que o número de deficientes auditivos seja bem maior no universo de moradores local.

Selo Identificador

A coordenadora do Programa de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência, da Semsa, Daiane Barbosa, explica que para melhorar o acesso de deficientes auditivos foi criado um selo que identifica a existência de profissionais capacitados em Libras no local. O selo fica em local visível e hoje está em 39 das 273 unidades da rede básica municipal. “Nosso maior desafio é ampliar o número de unidades e fazer com que em cada uma das nossas unidades de saúde tenhamos pelo menos um profissional capacitado em Libras”, afirma Daiane.

Segundo ela, a opção pela capacitação em Libras foi uma reivindicação dos próprios pacientes surdo-mudos. “Quando desenvolvemos o Plano Municipal de Assistência à Saúde da Pessoa com Deficiência, decidimos priorizar as ações voltadas para os portadores de deficiência auditiva por entendermos que, quando se falava em acessibilidade, sempre se pensava primeiro no deficiente físico e se deixava de lado os outros tipos de deficiência”.