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Linha e anzol: pesca tradicional é a melhor opção no período de vazante

Família vive da pesca de sobrevivência em comunidades do Janauacá e relata as agruras neste período de vazante lenta 06/10/2015 às 12:36
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Na região, ninguém pesca usando molinete. É na linha com isca de peixe
nelson brilhante ---

Nada de peixinho de alumínio (isca artificial) e molinete. É com carazinho, pescado com minhoca, que os moradores do igarapé  Ajará pescam tucunarés de vários tamanhos, e usando apenas uma linha normal com um anzol na ponta.

O local é uma das ramificações do lago do Janauacá, a Sudoeste de Manaus, onde uma família composta por 18 pessoas dividem cinco casas, muitos causos e a harmonia  de uma convivência extremamente agradável. Tudo ao comando do patriarca Paulo Mossambite, 57, e da esposa Francisca. A pesca é puramente de subsistência e a divisão da produção parece lei. Quem pega mais divide com quem pega menos peixes.

O período lento de descida dos rios dificulta a pesca e quem não perdeu a produção agrícola com as constantes queimadas, vive da venda de farinha e de frutas. Há muita reclamação quanto à desproporcionalidade no preço entre o pescador e o atravessador.

“Até  12 anos meu pai trabalhava com roça. Aí, mudamos para pesca. Desde lá, é só pesca, mas a gente ‘morre’ na mão dos atravessadores (quem compra para revender). A cada ano fica mais difícil”, relata Josias Braga Barbosa, 40, morador da comunidade Boas Novas, no Janauacá.

“Quando não conseguimos pegar, compramos o quilo do peixe por R$ 1 para  vender R$ 1,10. Isso aqui no frigorífico do Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus). São cinco pacus pra dar um quilo. Lá em Manaus, os caras vendem os mesmos cinco por vinte reais. Então, não vale mais a pena a gente pescar pra vender. Só quando Manaus tiver um frigorífico. Só quem ganha é o atravessador”, lamenta Josias.

O patriarca Paulo Mossambite revela que, no período da cheia, quando a pesca fica mais escassa, a família procura outras atividades para salvar a “comida de cada dia”. “Aqui, tem pedreiro, carpinteiro, enfim, cada um se vira nos trinta para alimentar a família. A vida é assim mesmo”, revela Paulo.

milhões. A obra chegou a ser embargada pela Justiça por falta de definição sobre a posse do terreno. Atualmente, o local é usado por pescadores e vendedores, mesmo sem a abertura oficial do governo federal.

Em baixa

Na noite de quinta-feira da semana passada,  A CRITICA acompanhou Josias Braga Barbosa numa pescaria. Ele lançou 600 metros de malhadeira numa área liberada para pesca no lago do Janauacá, mas só conseguiu seis peixes.

Restrição vira boa opção de lazer

Como a pesca comercial é proibida em grande parte do Janauacá, sudoeste de Manaus, a pesca esportiva é imensa.

Terminal Pesqueiro é ‘só enfeite’

Atualmente não há nenhum terminal pesqueiro público em funcionamento em Manaus. E os privados, e com maior estrutura, estão concentrados em municípios no interior como Manacapuru (2), Iranduba (2), Itacoatiara (1), Tefé (1) e Parintins (1). Ainda existem outros menores nestas cidades, mas servem aos interesses dos proprietários e funcionam apenas como entreposto de recebimento de peixe para revenda. O Terminal de Manaus funciona apenas como ancorador de balsas. O terminal está pronto há quase nove anos, mas nunca foi inaugurado por conta de desentendimentos políticos. Ninguém, até hoje, definiu se pertence ao Município, ao Estado ou ao ministério da Pesca. O Terminal Pesqueiro custou R$ 20 milhões. A obra chegou a ser embargada pela Justiça por falta de definição sobre a posse do terreno. Atualmente, o local é usado por pescadores e vendedores, mesmo sem a abertura oficial do governo federal.