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Lixo toma conta de área no entorno do ‘Encontro das Águas’

Espaço destinado à construção de Fan Park para a Copa do Mundo acumula lixo, material e equipamentos de escritório. Sujeira atinge profundidade do rio 20/10/2012 às 14:36
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Maior parte do lixo é material de expediente e restos de equipamentos eletrônicos
Nelson Brilhante Manaus (AM)

O espaço turístico do Mirante da Embratel, localizado no entorno do Encontro das Águas, no bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, está sendo transformado em uma grande lixeira. Bem abaixo da mureta de proteção do mirante, é grande o volume de lixo que começa a “ornamentar” o gigantesco bloco de falésias (paredes rochosas medindo 70 metros de altura), considerado patrimônio geológico da humanidade.

A maior parte do que foi jogado, formando um desfiladeiro de lixo, é material de expediente e restos de equipamentos eletrônicos. Entre os papéis, verdadeiros arquivos de documentos com o timbre da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel).

A área pertencia à Embratel, que tinha uma estação de transmissão no local, hoje desativada. Os prédios estão fechados e os portões de acesso aos mesmos estão trancados. Entretanto, o acesso ao mirante ficou livre, e ao mesmo tempo, abandonado.

A Embratel cedeu o terreno à prefeitura, mas em função da Copa do Mundo, esta repassou a área ao Governo. Trata-se do lugar escolhido para construir um Fan Park (observatório), exigência da Fifa para as cidades sedes do mundial de futebol. O Estado também construirá no local o “Memorial Encontro das Águas”, um projeto arquitetônico do arquiteto Oscar Niemeyer.

Por lei, deveria ser uma área de proteção permanente, por fazer parte do entorno do complexo formado pelo sítio arqueológico, Ponta das Lages e Encontro das Águas, mundialmente reconhecidos como grandes riquezas naturais da humanidade. Também fica dentro do limite de tombamento do Encontro das Águas.

Sujeira já atinge profundidade do rio

Pescadores que vão ao local afirmam recolher montante de sujeira do fundo do Negro, naquele ponto

O lixo jogado no Mirante da Embratel ainda não chegou ao rio porque estamos no período da seca. Olhando de cima, parece que aquele trecho do rio Negro ainda não foi vítima da ação irresponsável do homem. Apenas parece.

O vigilante Walter da Silva Neto, 29, que toda semana desce a encosta para pescar em uma pedra em frente ao mirante, tem provas em contrário. “Várias vezes já aconteceu da gente jogar a tarrafa e o que vem são sacos plásticos e até balde. Com certeza é lixo jogado pelo pessoal dos barcos, porque aqui não mora ninguém”, revela o vigilante.

Ele aproveita para pedir mais conservação no local que, segundo ele, já foi muito melhor. “Antigamente era mais conservado. Tinha até uma escada para descer a ladeira. Hoje, está muito feio”, conclui.

Falta de conservação
A bióloga Elisa Wandelle lamentou não apenas pelo lixo, mas pelo estado de abandono em que se encontra toda a área, de valor histórico incalculável. “É uma pena que essa riqueza arqueológica, de reconhecimento mundial, não seja protegida por nenhuma unidade de conservação do Estado. Além de lixo, tem esgoto, desmatamento, enfim, agressões que não são evitadas”, desabafa a geóloga.

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