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Lojistas amargam prejuízo devido greve de ônibus em Manaus

Surpreendidos pela paralisação nessa terça-feira (10) do sistema de transporte coletivo, eles dizem que faturamento caiu cerca de 30% 11/04/2012 às 08:25
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Expectativa dos lojistas é que a partir de maio o cenário mude para melhor
Renata Magnenti Manaus (AM)

A terça-feira (10) foi um dia de prejuízos para o comércio local, em função da paralisação dos serviços de transporte coletivo urbano em Manaus. A sapataria Show dos Calçados encerrou o expediente com queda de 33,3% nas vendas. Dos R$ 15 mil que em média fatura diariamente, alcançou apenas R$ 5 mil. Na loja de bijuterias Manaus Aço, a queda nas vendas foi de 25% e ela encerrou o expediente com apenas R$ 2 mil de vendas.

Após conversa com 1.500 comerciantes do Centro e vários bairros, o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag, concluiu que os lojistas deixaram de faturar ontem pelos menos 30% daquilo que apuram diariamente.

Além disso, segundo ele, 10% dos funcionários não compareceram ao trabalho e 40% dos que foram chegaram atrasados. “O setor de alimentos perdeu o que havia preparado para hoje. Os demais lojistas vão batalhar nos próximos dias para recuperar a perda, mas nunca a recuperação é integral”, explicou Ralph.

O gerente da loja Show dos Calçados, Aldemir Gomes, passou a manhã e metade da tarde dessa terça-feira trabalhando com apenas cinco funcionários, já que os outros nove não compareceram. “Estamos em período da promoção ‘Liquida Manaus’, o movimento vinha em um bom ritmo e essa greve quebrou nossas pernas”.

Do bolso

O mesmo aconteceu na Manaus Aço, segundo o proprietário Eleuson Macedo. Além da queda nas vendas, ele teve ainda que pagar a condução para que seus funcionários chegassem ao Centro da cidade. “Eles recebem o vale-transporte de R$ 2,75, mas tiveram de vir de Executivo cuja tarifa de R$ 4,20”, explicou. A preocupação do lojista é que nos próximos dias a mesma situação se repita sem que o comércio possa se preparar. “É um absurdo sermos pegos de surpresa. Quem vai pagar nosso prejuízo?”, disse.

Em uma loja de eletroeletrônico, a meta diária é vender R$ 22 mil em produtos, mas nos últimos dias, por conta do “Liquida Manaus”, o faturamento tem batido os R$ 40 mil. Segundo a gerência, ontem, por conta da paralisação dos rodoviários, as vendas ficaram em torno de R$ 14 mil. Até o começo da tarde havia apenas dois vendedores.

Na loja de vestuário You Fashion, caiu pela metade o movimento de clientes durante toda manhã. “O movimento melhorou depois das 15h, mas não o suficiente para recuperar o que deixamos de ganhar hoje (ontem)”, disse a gerente da loja Letícia Carvalho.

Na Blue Fashion cerca de 300 clientes são atendidos todos os dias, porém, ontem, o número de consumidores não passou dos cem. “Ninguém esperava pela greve e estamos em plena campanha promocional. É uma pena que aconteça esse tipo de situação em uma cidade como Manaus”.

O sentimento de indignação tomou conta não só dos lojistas, mas também dos camelôs. O autônomo Bartolomeu Oliveira que tem uma banca na avenida Eduardo Ribeiro vendeu até as 17h de ontem apenas quatro óculos, geralmente, vende cerca de 20 unidades por dia.

CDLM deve estender Liquida

A queda das vendas registrada ontem pelo comércio, e o declínio de 35% nas vendas no último sábado, por conta da forte chuva, são os fatores que levaram a CDLM pedir a dilatação do ‘Liquida Manaus’. A campanha que deveria terminar nesta sexta-feira pode se estender por mais três dias. A decisão final sairá hoje.

De acordo com Ralph Assayag, uma empresa que realiza todos os Liquidas no Brasil foi oficialmente comunicada sobre alteração. “Como há um acordo firmado, contratos assinados, aguardo a resposta da empresa que virá amanhã (hoje)”. A queda nas vendas não desmotivou os lojistas, porém, desejam recuperar a queda no faturamento referente aos dois dias de prejuízo.

No último Liquida Manaus realizado em 2010 se vendeu 3 milhões de cupons. Até a última segunda-feira, havia sido vendido 4,2 milhões de cupons. Cada um corresponde a R$ 25 ou R$ 30. Para atender a demanda da campanha os lojistas contrataram 1.500 trabalhadores.

Dia das mães

O comércio da Manaus já está se preparando para a segunda data mais espera pelo setor, o Dia das Mães. Os produtos que estarão nas prateleiras foram comprados em fevereiro e os lojistas estimam contratar ao menos 600 vendedores. Isso porque os temporários contratados para o Liquida Manaus, devem permanecer no quadro.