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Manaus
INSEGURANÇA

Lojistas e feirantes fecham as portas durante ‘toque de recolher’ na Feira do Mutirão

Eles disseram terem ouvido barulhos de tiros e receberam informações de que bandidos entrariam nos estabelecimentos para saquear tudo 17/07/2017 às 14:02 - Atualizado em 17/07/2017 às 16:44
Dani Brito Manaus (AM)

Lojistas e feirantes que trabalham na Feira do Mutirão, no bairro Novo Aleixo, na Zona Norte de Manaus, fecharam as portas por volta de meio dia desta segunda-feira (17) durante um suposto “toque de recolher” no local. Eles disseram terem ouvido barulhos de tiros e receberam informações de que bandidos entrariam nos estabelecimentos para saquear tudo. Aproximadamente 200 lojas estão fechadas na rua Penetração 3, principal do Mutirão. 

Policiais militares da 27ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) foram acionados e encontraram a rua Itaitê, onde fica a Feira do Mutirão, deserta. “Viemos averiguar a situação, mas até o momento constatamos que tudo não passou de boato. No entanto, iremos manter uma viatura no local e pela parte da tarde iremos fazer uma operação com a finalidade de identificarmos indícios de qualquer tipo de crime”, disse o tenente Matheus Andrade.

Uma vendedora de uma loja de confecções de 24 anos, que preferiu não se identificar, disse que houve um tumulto e várias pessoas saíram correndo. “Não cheguei a ouvir tiros, mas vi as pessoas correndo e falando sobre toque de recolher. Fechamos a loja e vamos embora porque acima de tudo queremos preservar nossas vidas”, declarou a mulher, que estava visivelmente assustada.

A rua Itaitê, que é conhecida pelo grande movimento de pessoas, ficou deserta e a situação assustou quem passava na região. Após verificarem denúncia, os policiais tentaram convencer os lojistas a reabrirem as lojas. Porém, muitos já haviam dispensado os funcionários. O policiamento ostensivo foi reforçado e ao menos dez viaturas da Polícia Militar estão patrulhando nas ruas adjacentes da região.

Execuções

A sensação de insegurança entre moradores e comerciantes no Mutirão vem aumentando desde a noite de ontem, domingo (16), depois que um grupo de homens armados e encapuzados matou duas pessoas e deixou outras oito feridas durante um ataque. Durante a madrugada, mais duas pessoas foram assassinadas. Para a polícia, tais execuções foram motivadas por uma briga pelo comando do tráfico de drogas.

Na manhã de hoje, o secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, afirmou que as mortes no entorno da Feira do Mutirão representam uma “falência total da criminalidade”. “É só olhar os sinais que os criminosos estão dando. ‘João Branco’ versus ‘Gelson Carnaúba’, e o ‘Zé Roberto’ sem liderança nenhuma na sua própria facção”, afirmou Sérgio Fontes, fazendo referência a líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN).