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Mãe que perdeu filho durante assalto fala sobre a dor

Mãe de engenheiro assassinado em Manaus, escreve uma carta na qual relata o sofrimento que sente e o amor pelo filho.  Gino Rondon foi morto por um grupo formado por pessoas que ele conhecia  20/05/2012 às 17:13
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Edna, com Gino Rondon, lembra que a principal característica do filho era evangelizar e mostrar a palavra de Deus
Joana Queiroz Manaus

Três meses depois de ter o  único filho assassinado em Manaus,  a jornalista e administradora Edna Rondon, 55, disse que só agora está conseguindo forças para falar sobre a perda brutal de uma das pessoas que mais ama, o engenheiro Gino Rondon, 30, vítima de latrocínio. Ainda abalada emocionalmente, ela  falou   com exclusividade para A CRÍTICA, sobre, segundo ela, a pior dor que já sentiu na vida  e revelou tudo o que sente  por meio de uma carta que tem como título “Desabafo de Mãe”.

O que levou a senhora escrever essa carta falando sobre o seu filho e o relacionamento dele com a família e a igreja?

Estava muito difícil falar sobre o Gino, ainda doía muito. Há um mês comecei a escrever essa carta e  só agora conseguiu terminá-la. Na carta tem um pouco da memória do meu filho e também um desabafo por,  além de sofrer a dor maior da perda de um filho, ainda ver  o nome deste filho amado ser aviltado por um site de Manaus, ofensa reproduzido por outros. Em algum jornal ou blog saiu que o meu filho tinha uma dívida com traficante e isso é mentira. Ele nunca teve envolvimento com droga, era uma pessoa limpa. É o desabafo de uma mãe que devolveu seu filho a Deus,  está com o coração destroçado, mas em paz e orgulhosa por ter gerado um filho como Gino.

Quem era o engenheiro Gino Rondon?

O Gino era uma luz que Deus permitiu que vivesse nesta terra para fazer o bem.  Era diácono da Igreja Sara Nossa Terra de Cuiabá-MT, onde também era Levita,  que canta no louvor para adorar ao Senhor. Líder de jovens da sua igreja. Gino era filho amoroso, marido fiel e presente, irmão dedicado, amigo fiel e justo. Jovem trabalhador, empresário e empreendedor. Honesto, puro, às vezes até ingênuo, que se alegrava com as coisas mais simples da vida, tais como assistir filmes com a família, sentar no chão e comer junto com os funcionários, passar a noite assistindo ‘Chapolin  Colorado’; ligar constantemente para suas irmãs ou mesmo para mim para saber sobre as últimas travessuras dos sobrinhos e sobrinha que ele tanto amava. Ele se deliciava me ouvindo contar, em detalhes,  as peraltices de cada um. O  grande tesouro dele era a família  e o amor a Deus.

 Qual  o principal projeto de vida  interrompido com a morte dele?

O de  ganhar vidas para Jesus e ajudar a igreja a crescer. Como diácono da Igreja Sara Nossa Terra, com a esposa, e em cada lugar onde passou sempre buscou levar a palavra de Deus às pessoas.  Com apenas 30 anos, três  de casado, era próspero, com muitos sonhos realizados e outros por realizar. Investia em ações e em imóveis, era empresário. Um dos seus projetos de vida, na  Gráfica Rios,   foi a primeira edição do jornal ‘Aviva MT’,  dedicado a levar matérias positivas de todas as áreas, ao povo de Deus, ao mundo Gospel de Mato Grosso. O grande manual de vida dele era a Bíblia. Gino tinha em sua agenda o horário de encontro diário com Deus, esse horário para ele era muito especial e  ele o fazia de joelhos. Era um bom soldado de Deus. Foi por meio de  Gino que toda a família se converteu.

 Onde a família  busca o conforto para superar a perda de Gino?

O que me conforta é saber que a justiça existe, Deus está me dando forças para levar adiante a mensagem de paz, de amor e principalmente de justiça que meu filho sempre pregara. Além de acreditar na justiça de Deus acredito  na justiça dos homens. Conforta-me ainda ter a certeza de que meu filho está em paz ao lado de Deus que ele sempre buscou, nos fortalecendo e nos falando das mais diversas maneiras sobre seu amor.

 O que você diria aos homens que tiraram a vida do seu filho, caso você ficasse frente à frente com eles?

Prefiro não falar agora. Peço que Deus prepare o meu coração para isso. Ainda está doendo muito. Já entreguei o caso para Deus. Eles  tiraram a vida carnal de meu amado filho, mas não tiraram o seu sorriso. Não encerraram a sua missão de levar a mensagem do amor de Deus aos homens e mulheres de boa vontade.

Você é capaz de perdoá-los?

Eu sinto muita pena deles, principalmente das mães por terem gerado filhos  que foram capazes de praticar tremenda barbaridade. Que Deus tenha misericórdia delas. Eu sou feliz por ter gerado um ser de luz. E aqui quero agradecer e parabenizar publicamente, de coração, aos verdadeiros heróis que com seu dedicado trabalho permitiram que estes criminosos estejam hoje na cadeia. Agradeço ao delegado titular da DERF, Orlando Amaral e a equipe de investigadores dele, uma equipe que fez de tudo para elucidar um crime brutal e bárbaro .

 Que lembrança você vai guardar do seu filho Gino?

Em uma festa de aniversário, fazia frio em Campo Grande e os convidados, em sua maioria estavam dentro da casa. Certa hora o Gino perguntou aonde era o banheiro, a irmã indicou e o Gino foi para o lado invertido.  Ao passar perto da piscina percebeu que havia um movimento embaixo das bexigas e imediatamente pulou sem se importar com o tremendo frio que fazia, e salvou uma criança de aproximadamente quatro aninhos que se debatia embaixo das bexigas, se afogando sem que ninguém a visse. Uma mãe que devolveu seu filho a Deus! Que está com o coração destroçado,mas em paz e orgulhosa por ter gerado um filho como Gino Rondon Silva!