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Mães 'do coração' se tornam a família de crianças abandonadas em abrigos de Manaus

 Todos os sábados, acompanhada do marido, o também aposentado Aníbal Costa, 66, Mariza passa as manhãs brincando ou sai com alguns dos 50 abrigados 12/05/2012 às 18:22
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Mariza Costa, 59, tem pelo menos 50 filhos no Abrigo Moacyr Alves
Ana Célia Ossame ---

Outro exemplo do grande significado do que é ser mãe é o da aposentada Mariza Costa, 59. Mãe de um casal de filhos e avó, ela se derrete com o título de “mãe de coração”, recebido no Abrigo Moacyr Alves, destinado a atender crianças abandonadas pelas famílias, geralmente por ter algum problema de saúde grave como síndromes neurológicas e hidrocefalias.

 Todos os sábados, acompanhada do marido, o também aposentado Aníbal Costa, 66, ela passa as manhãs brincando ou sai com alguns dos 50 abrigados para passeios.

 “Aqui é o lugar ideal para quem quer ajudar e eu sempre busquei isso, por princípios religiosos”, afirma ela, que crê na doutrina espírita. Há 11 anos, ela se encantou com a possibilidade de ter mais 50 filhos para chamar de seus. A quantidade ajuda as “mães do coração” a não se apegar a um ou outro. Mas isso nem sempre é regra. “Eles nos escolhem”, afirmou.

Mariza diz ser importante para os abrigados a assiduidade das “mães”, pois estar ali significa ter sido abandonado e, mesmo que eles não tenham muitas vezes noção disso, são capazes de sentir. E a recíproca é verdadeira.

“Quando um deles é adotado, ficamos felizes por um lado, mas por outro sofremos com saudade”, afirmou ela, para quem “amor de mãe” é uma expressão tão antiga quanto a origem da humanidade, mas que se renova porque as mães nunca são iguais, mas sua atitudes, em geral, não mudam: doam-se, de corpo e alma, para quem não teve o direito de chamar uma mulher de mãe.