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Mais de 500 cirurgias de câncer de pele devem ser feitas no Amazonas este ano

Fundação Alfredo da Matta promove a jornada de cirurgias para diminuir a fila de espera de pacientes que aguardam tratamento no Amazonas. Centro de referência precisaria de mais recursos pede mais recursos para dar conta da demanda anual 25/04/2015 às 15:52
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Jornada de cirurgias de câncer de pele
Cinthia Guimarães Manaus (AM)

A Fundação Alfredo da Matta (Fuam), referência em tratamento de doenças de pele na região Norte realizou na manhã deste sábado (25) um mutirão de cirurgias em pacientes com câncer de pele para tentar diminuir a fila de espera por tratamento. São feitos ao menos três mutirões do gênero por ano. Só este ano há 500 cirurgias agendadas e pelo menos o dobro de pessoas aguardando vaga.

Foram operados cerca de 30 pacientes que estão sendo acompanhados pela Fundação Alfredo da Matta, depois de terem detectado sinais, lesões e tumores externos, que na maioria das vezes na região do tórax e cabeça. Os pacientes retornam para casa após a cirurgia e depois fazem acompanhamento ambulatorial como curativos semanais.

O cirurgião dermatológico Carlos Chirano, que trabalha na Fuam há 23 anos e já foi diretor da unidade, acredita que o Ministério de Saúde precisa descentralizar o tratamento de câncer deste tipo em Manaus para que o estado possa dar conta da demanda e melhorar o atendimento no Amazonas.


Os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) são passados anualmente às unidades especializadas em tratamento de câncer como a Fundação Centro de Controle à Oncologia (FCecon). “Porque acumula muito? Porque as pessoas têm a Fundação Alfredo da Matta como referência no tratamento de pele, só que não abrem outras unidades para tratamento de câncer de pele, o Cecon não dá conta. 80% do tratamento de câncer de pele fica com a Fundação Alfredo da Matta. O Ministério da Saúde fez algo que precisa ser revisto. Referenciou todos os tratamentos nas unidades de oncologia, o repasse dos financiamentos vai para outras, não chega aqui”, explicou

No Amazonas, 70% dos casos são de carcinoma espinocelular e carcinoma basocelular, que são os tipos menos agressivos. Os mais letais são e os melanomas que, se não tratados a tempo, pode gerar metástase.  

Como o câncer de pele não é algo de fácil diagnóstico e muitas vezes é confundido com alguma lesão externa as pessoas demoram a procurar tratamento. “Por dificuldade de acesso aos serviços, pela informação que não tem, pelo medo de enfrentar uma cirurgia e ficam passando coisas alternativas como pomadas, planta, extratos e vai acreditando que aquilo vai resolver. Muitas vezes retarda o tratamento, quanto mais precoce é mais resolutivo, mais curatativo, rápido, menos sofrido, multila menos, funciona melhor esteticamente. Quanto mais demora fica mais caro, tecnicamente mais difícil, mais mutilante, deforma mais, a taxa de cura diminui, tudo é desfavorável”, disse.

A recomendação básica, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca) é evitar exposição ao sol, usar protetor solar constantemente nas áreas expostas como cabeça, colo e braços e usar equipamentos de proteção individual para quem trabalha em atividades insalubres ao ar livre, como construção civil, construção naval, agricultura, pesca, ambulantes, entre outras.