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Manaus
FEIRAS

Manauara mantém tradição de fazer compras em feiras populares

Apesar dos supermercados renomados estarem em alta em Manaus, amazonenses mantêm antigo hábito de ir às compras, escolher frutas e verduras e até negociar descontos em feiras 19/08/2017 às 23:00 - Atualizado em 20/08/2017 às 10:29
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(Foto: Euzivaldo Queiroz)
Álik Menezes Manaus (AM)

Com o passar dos anos, os consumidores passaram a ter novas opções de onde fazer as compras da casa. As grandes redes de mercados e supermercados estão em alta, investindo na publicidade e em produtos naturais, mas os amazonenses mantêm o tradicional hábito de frequentar feiras populares, conversar com os feirantes, escolher frutas, verduras e o pescado que leva para seus lares.

Todas as terças-feiras a aposentada Nely Alves do Carmo, 66, acorda cedo para um compromisso matinal. Há mais de dez anos ela faz as compras da semana na feira itinerante do bairro de Aparecida, na Zona Sul. “Quando eu morava na rua Getúlio Vargas ia no mercado lá no Centro, mas agora lá é perigoso e gosto mais de vir aqui onde já conheço todo mundo”, contou.

Alegre, sorridente e carismática, a aposentada percorre várias barracas da feira, mas se mantém fiel aos feirantes que a atendem. Ela sai de casa, na rua Alexandre Amorim, e vai direto para as bancas de peixe, escolhe e espera o peixeiro tratar e limpar o pescado. Enquanto isso, ela conversa com os vendedores e outros clientes que frequentam o local. “A gente sempre encontra alguma amiga que geralmente não vê na semana”, disse.

Só após o bate-papo com o peixeiro, ela vai em direção as barracas de frutas e verduras. De longe é possível ouvir a conversa entre ela e o vendedor, que anuncia o preço dos produtos, as promoções e as pechinchas. Satisfeita com a qualidade dos produtos e com a sacola cheia de frutas e verduras, a aposentada se despede e parte para o próximo ponto.

“Agora eu vou comprar meu queijo. É um dos itens que não pode faltar na minha mesa, toda terça passo na mesma banca”, contou ela. Tão tradicional quanto a feira é a fidelidade da aposentada às barracas e ao percurso que ela fez questão de percorrer todas as terças-feiras. “Sempre começo e termino nos mesmos lugares, gosto que seja assim e mantenho essa tradição há muitos anos”, disse.

Rotina corrida

Mesmo com a rotina diária agitada, a aposentada Maria Ferreira, 74, se desloca do bairro onde mora, o Parque Dez, para fazer compras na feira do Aparecida. Ela revelou que faz questão de conservar esse hábito há mais de 20 anos e nem cogita comprar produtos no bairro onde ela mora.

“Lá também tem uma feira, mas gosto de vir aqui, porque venho para a novena e já passo aqui para comprar minhas frutas e verduras. São mais de 20 anos que tenho esse costume. Todas as terças eu estou por aqui. Vou à igreja orar e depois venho aqui comprar minhas coisas”, contou. A aposentada disse que nem pede ajuda aos filhos, ela gosta mesmo é de ser independente.

Além de fazer  as compras, o momento na feira quebra um pouco da rotina corrida da aposentada. Ela também não imagina deixar de frequentar essa feira e disse que gosta dos produtos comercializados. “São bons, são de qualidade e é um passeio também”, comentou.

Feira faz parte da rotina

Há exatos 20 anos, a aposentada Francisca Izena de Souza Santos, 78, faz questão de frequentar a feirinha do Aparecida. Ela mora no bairro Coroado, na Zona Leste, onde tem duas feiras, mas prefere acordar cedo, se arrumar e partir em direção ao bairro de Aparecida. “Ela é impossível. Pula da cama de madrugada e quer que eu levante no mesmo horário”, contou Izena Cleide dos Santos, 38, filha de Francisca.

Segundo Izena, desde os 18 anos de idade que ela acompanha os pais, que consideram a ida à feira como passeio. Mas antes da feira, elas passam na igreja para participar da novena.

“É uma tradição. Antes eu acompanhava meu pai e minha mãe, mas depois que ele morreu fiquei mais responsável por ela. Toda semana fazemos esse mesmo roteiro juntas”, contou Izena, enquanto a mãe dela escolhia  os peixes e orientava o peixeiro como deveria limpar o produto.

Recém-casada aplica aprendizado

A nutricionista Bárbarah Alves, 28, casou há um ano e quatro meses e mantém o costume de fazer as compras da casa em feiras por considerar os produtos de mais qualidade e preço mais acessível.“Nem sempre as frutas dos supermercados são frescas e de qualidade. As frutas da feira,  além de valor mais acessível e justo, são frescas”, disse.

Bárbarah contou que fazer as compras da casa em feiras foi uma das lições que aprendeu com a mãe dela, ainda na infância, e segue com a tradição mesmo já tendo saído de casa. “Minha mãe sempre gostou de ir às feiras e comprar tudo fresquinho. Então, como eu já  tinha esse hábito antes de casar, fiz questão de permanecer com ele”, afirmou ela.