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Manaus
ABORDAGEM POLICIAL

Manauaras relatam constrangimentos e excessos durante revistas policiais

Polícia Militar diz que revistas são necessárias e que não é demérito ser abordado em uma operação. Populares afirmam que experiência pode ser constrangedora 14/01/2018 às 05:30 - Atualizado em 14/01/2018 às 07:52
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Foto: Divulgação
Joana Queiroz Manaus (AM)

“Ser abordado pela polícia em blitz não é demérito para o cidadão e é ação necessária para a sua segurança”. Esta é a afirmação do comandante da Polícia Militar do Amazonas, David Brandão. No entanto, há quem se sinta constrangido com a abordagem policial.

O estudante L.L. relatou que foi constrangido por policiais militares que  faziam blitz em ônibus. Ele e os amigos estavam voltando de uma festa quando o coletivo foi parado pelos policiais. O estudante contou ainda que ao descer do ônibus demonstrou insatisfação com a abordagem e um dos policiais o agrediu verbalmente, dizendo: “Olha, esse vagabundo não quer respeitar a polícia”.

De acordo com o jovem, se não tivesse a intervenção de um dos comandantes, as agressões poderiam ter sido físicas. “Quando eu voltei para o ônibus estava nervoso, constrangido e com medo”, disse.

O estudante Vitor Franco, 23, passou por situação semelhante. Ele estava a caminho do trabalho quando o coletivo também foi parado em uma blitz. Os passageiros tiveram que descer para serem revistados.

“Eu achei ruim e constrangedora, mas pelo outro lado, agradecido, porque me senti seguro. No final os passageiros aplaudiram o trabalho dos policiais”, contou.

Já  D.S., 46, que mora no bairro Compensa, na Zona Oeste, relatou que foi interceptado por policiais. “Eu ia passando e de repente os policiais me mandaram parar, fizeram eu descer, afastar as pernas e colocar as mão em cima do veículo e começaram revistar o meu carro”, contou.

Apesar de ser um procedimento padrão, D.S. considerou a situação constrangedora. “No mínimo, quem passava deve ter achado que era um criminoso, ou pelo menos suspeito”, reclamou ele. 

Orientação

De acordo com o comandante PM, David Brandão, os policias não são orientados a agirem com truculência e que o uso da força é para algumas situações, como quando a pessoa desobedece ou resiste a orientação da autoridade.

“Sabemos que a busca pessoal ou abordagem é muito desconfortável para qualquer pessoa, porém, com o crescimento da criminalidade,  é um procedimento fundamental no trabalho policial”, afirmou David Brandão.

O comandante orientou que casos de constrangimento ou ações fora da legalidade podem ser denunciadas à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).

PM orienta como se comportar em blitze

O comandante-geral da PM, David Brandão,  também orientou as pessoas como agirem em uma abordagem policial: obedecer aos bloqueios realizados pela polícia; ficar calmo e não correr; deixar as mãos visíveis e não fazer nenhum movimento brusco; Atender prontamente aos sinais e orientações do policial.

Ainda segundo o comandante, quando estiver próximo a bloqueios, a pessoa deve baixar os vidros do carro, caso tenha insulfilm, e acender as luzes internas do veículo (se  a blitz for a noite).

Quando houver duas ou mais pessoas no interior do veículo, elas devem aguardar orientação para sair, mantendo as mãos sempre visíveis. É importante dar as informações solicitadas pelos policiais e se estiver sem documentos, forneça ao policial dados que auxiliem sua identificação. Outra dica é não sair da abordagem em alta velocidade, pois tais situações podem ser mal interpretadas.