Publicidade
Manaus
Manaus

Manaus abriga obras e projetos imobiliários sem contemplar arborização

Em fase de desenvolvimento, as obras da Arena da Amazônia e de reforma e ampliação do aeroporto internacional Eduardo Gomes, símbolos concretos de que a Copa de 2014 está chegando a  Manaus, ainda não apresentam, em sua estrutura, sinais de que as áreas externas serão recobertas por árvores 08/07/2012 às 11:11
Show 1
Vista aérea da Arena da Amazônia, em manaus
Maria Derzi Manaus (AM)

Mesmo ostentando os títulos de “capital do verde da Amazônia”,  Manaus abriga obras e projetos imobiliários de grande porte ou de relevância sócio-cultural-desportiva que ainda não contemplam e nem dão sinais de que vão contemplar o plantio ou permanência de árvores em seu entorno e, que podem acelerar ainda mais o  processo de aquecimento da cidade.

Em fase de desenvolvimento, as obras da Arena da Amazônia e de reforma e ampliação do aeroporto internacional Eduardo Gomes, símbolos concretos de que a Copa de 2014 está chegando a  Manaus, ainda não apresentam, em sua estrutura, sinais de que as áreas externas serão recobertas por árvores, o que contraria a ideia vendida de “Copa Verde”.

Duas imagens da maquete eletrônica da Arena da Amazônia foram divulgadas: uma com a presença de árvores no entorno da obra e outra que indica a retirada das poucas árvores que restavam em pé, enquanto o antigo Vivaldo Lima existia. Essa última mostra, apenas, a presença de gramado, sem a indicação de replantio de árvores.

Há informações, ainda não confirmadas, de que a retirada das árvores seria uma determinação da Federação Internacional de Futebol (Fifa), sob a justificativa de manter a segurança do local e para facilitar a evacuação dos estádios.

Já o aeroporto Eduardo Gomes, que entrou em obras há um mês, terá estacionamento subterrâneo e, as atuais árvores que ainda persistem no local, serão removidas. Hoje, no estacionamento provisório, os usuários têm que enfrentar o sol escaldante sem o suporte de uma árvore para se abrigar.  

Prosamim


Nas obras do Prosamim, a preferência foi pelo plantio de gramas e arbustos, que estão em mau estado de conservação. (Foto: Antonio Lima)

Outra obra que pouco contemplou, em seu aspecto paisagístico, a presença do verde, foi a construção do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamin). Os próprios moradores do local reclamam. “Acho que deveria ser mais arborizado porque durante o dia é muito quente aqui. Se tivesse árvores, o clima seria melhor. O que eles colocaram mais foi essa grama. Mas, acho que deveria ter árvores, porque esses tijolos absorvem muito a temperatura e fica quente dentro dos apartamentos”, disse o autônomo Sadad de Souza.

Outra que reclamou da falta de árvores foi a dona de casa Érica Gonçalves. “Eu acho que deveria ter mais árvores porque é muito quente, principalmente, do meio dia até às 15h. Ficaria bom até mesmo para as crianças, porque hoje elas brincam aqui debaixo de sol”, disse a dona de casa.

A assessoria de Comunicação do Prosamim explicou que o plantio de mudas nas áreas do programa já foi realizado pelo  próprio programa, em cumprimento à exigência requerida no licenciamento ambiental.

Nos meses de outubro e novembro, o programa prevê o plantio de novas mudas nas áreas de intervenção, adequadas aos espaços disponíveis. 

Em 2011, o Prosamim distribuiu mais de 10 mil mudas nos conjuntos Nova Cidade, João Paulo, parques residencial Manaus, professor José Jefferson Carpinteiro Péres.

No complexo da Ponta Negra, talvez para dar o clima praiano, a opção foi o tradicional replantio de palmeiras, deixando de lado espécies da flora amazônica.

Aeroporto


No aeroporto, antigas árvores foram remanejadas para viveiros e, novas mudas serão plantadas somente na área. (Foto: Bruno Kelly)

No projeto paisagístico do aeroporto internacional Eduardo Gomes, somente nas áreas externas e estacionamento, consta a implantação de 90 espécies vegetais como açaí, buriti, tucumã, piaçava, jará, pupunha, urucum, craibeira, plumeria, sucupira, flamboyanzinho, árvore do viajante, pau de formiga. A Infraero informou que, no estacionamento, que será constituído em dois níveis, com uma laje de concreto estruturada entre os pavimentos, fica inviável o plantio de árvores.

O gerente de Marketing e Comunicação Social da Infraero, Salin da Silva Pucu, informou que as árvores que existiam no estacionamento do aeroporto internacional Eduardo Gomes  foram catalogadas e serão retiradas. “Verificou-se que não havia a necessidade de replantio de mudas por se tratar de espécies exóticas e de porte não significativo. Portanto, serão todas mudas novas. As existentes serão remanejadas para nosso viveiro para posterior remanejamento conforme a necessidade”, disse.

Estádio

Questionada sobre se há, de fato a determinação da Fifa em retirar e não replantar árvores no entorno da Arena da Amazônia, a coordenação da Unidade Gestora de Projetos da Copa de 2014 (UGP-Copa) informou que não recebeu “nenhuma recomendação da Fifa sobre a não disposição de árvores no entorno da obra, sob qualquer justificativa, e desconhecemos orientações neste sentido”.

Do paisagismo a ser implantado do estádio, a UGP-Copa informa que no projeto da Arena Amazônia há a previsão inicial de grama e árvores de médio porte, o que só será definido quando a obra estiver no estágio de implantação do paisagismo.