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Manaus é a capital brasileira do excesso de peso, aponta pesquisa

Segundo o Ministério da Saúde, na cidade amazonense, cerca de 56% dos adultos estão acima do peso e 19% são obesos 15/04/2015 às 20:08
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Manaus também está entre as 10 capitais brasileiras com o maior índice de adultos obesos, 19%
Luciano Falbo* ---

Manaus é a capital com o maior índice de adultos acima do peso no Brasil. Na capital amazonense, cerca de 56% dos adultos estão acima do peso. A informação consta na pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada entre e fevereiro e dezembro de 2014 pelo Ministério da Saúde, divulgada nesta quarta-feira (15).

Conforme o levantamento, Manaus também está entre as 10 capitais brasileiras com o maior índice de adultos obesos, 19%. O índice de sedentarismo também é alto entre os manauaras.  A capital do Amazonas ficou na quinta pior colocação entre todas as capitais quando é analisado o tempo de atividade física praticada no tempo livre pelos habitantes. Apenas 34% dos adultos praticam o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) - 150 minutos semanais para atividade física no tempo livre.

Em relação ao percentual adultos com colesterol alto, Manaus figura na 12ª posição, com 20%. O melhor resultado alcançado nesse quesito foi registrado em Cuiabá (MT),  com 15%, e o pior com Aracaju (SE), com 27%.

A média nacional da pesquisa Vigitel 2014 revela que 52,5% dos brasileiros estão acima do peso e que 17,9% da população está obesa. Os dados revelam que o índice de obesidade está estável no País, mas o número de brasileiros acima do peso é cada vez maior.

O índice de excesso de peso dos brasileiro cresceu 23% nos últimos nove anos. Em 2006, a taxa de habitantes acima do peso no País era de 43%.

Os resultados da pesquisa preocupam, sobretudo, porque muitas doenças são decorrentes do sobrepeso. Segundo o Ministério da Saúde, o excesso de peso é fator de risco para doenças crônicas como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. As doenças crônicas respondem por 72% das mortes no País.

Avaliação do Ministério da Saúde

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, avalia que o aumento do sobrepeso no País não pode ser desconsiderado, mas ressaltou a tendência de estabilização da proporção de pessoas com obesidade nos últimos três anos. “No Brasil não há tendência de disparos como nos outros países em que o crescimento da obesidade é avassalador. Em comparação com nossos vizinhos conseguimos deter o crescimento, quando é essa a tendência”, completou Chioro.

 “O mais importante para o Brasil neste momento é deter o crescimento da obesidade. E nós conseguimos segurar esse aumento. Isso já é um grande ganho para a sociedade brasileira. Em relação ao sobrepeso, não temos o mesmo impacto da obesidade, de estabilização, mas também não temos nenhuma tendência de crescimento disparando”, afirmou o ministro. A estratégia da pasta, segundo Chioro, inclui também passar dos atuais 17% de obesidade na população adulta para os 15% recomendados pela OMS.

Dados da pesquisa

Entre os homens e as mulheres brasileiros, são eles que registram os maiores percentuais. O índice de excesso de peso na população masculina chega a 56,5% contra 49,1% entre elas, embora não exista uma diferença significativa entre os dois sexos quando o assunto é obesidade. Em relação à idade, os jovens (18 a 24 anos) são os que registram as melhores taxas, com 38% pesando acima do ideal, enquanto as pessoas de 45 a 64 anos ultrapassam 61%.

A pesquisa Vigitel 2014 demonstra ainda que as pessoas com menor escolaridade, 0 a 8 anos de estudo, registram a maior índice, 58,9%, enquanto 45% do grupo que estudou 12 anos ou mais está acima do peso. O impacto da escolaridade é ainda maior entre as mulheres, em que o índice estre os mais escolarizados é ainda menor, 36,1%. As mesmas diferenças se repetem com os dados de obesidade. O índice é maior entre os que estudaram por até 8 anos (22,7%) e menor entre os que estudaram 12 anos ou mais (12,3%).

O índice de obesidade do Brasil está abaixo da Argentina (20,5%), Paraguai (22,8%) e Chile (25,1%).

Sedentarismo

O sedentarismo está relacionado ao aparecimento de doenças crônicas, como câncer, hipertensão, diabetes e obesidade. No mundo, segundo a OMS, 31% dos adultos com 15 anos ou mais não são suficientemente ativos. Esse índice no Brasil, segundo o Vigitel 2014, que soma apenas as pessoas com mais de 18 anos, é de 48,7%. O compromisso assumido pelo Ministério da Saúde é reduzir esse percentual a 10% até 2025.

Segundo a OMS, 3,2 milhões de mortes todo ano são atribuídas à atividade física insuficiente e o sedentarismo é o quarto maior fator de risco de mortalidade global, responsável por pelo menos 21% dos casos de tumores malignos na mama e no cólon, assim como 27% dos registros de diabetes e 30% das queixas de doenças cardíacas.

Promoção da saúde 

O acompanhamento desses números orientam as ações do Ministério da Saúde. Segundo informações do governo, a pasta tem priorizado a promoção da saúde e a prevenção de doenças. Uma das metas do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), lançado em 2011, é deter o crescimento da obesidade e excesso de peso no País, bem como incentivar a adoção de hábitos saudáveis entre a população.

Pesquisa

O Vigitel 2014 entrevistou, por ligação telefônica, entre fevereiro e dezembro de 2014, 40.853 pessoas com mais de 18 anos que vivem nas capitais de todos os estados do país e do Distrito Federal. Realizada desde 2006 pelo Ministério da Saúde, a pesquisa, ao medir a prevalência de fatores de risco e proteção para doenças não transmissíveis na população brasileira, serve para subsidiar as ações de promoção da saúde e prevenção de doenças.

*Com informações da Agência Saúde