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Manaus pode ter cesta básica com 32 itens incluindo peixes regionais

Projeto nesse sentido está sendo discutido pelo escritório local do Dieese junto à Secretária Municipal do Trabalho  18/08/2012 às 08:50
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Projeto do Dieese prevê a inclusão do preços de várias espécies de peixes regionais na cesta básica ampliada
CINTHIA GUIMARÃES ---

Para “radiografar” o comportamento dos preços de itens básicos de alimentação, higiene pessoal e produtos de limpeza, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) trabalha num projeto de criação de uma cesta básica regional que incluiriam 32 produtos de consumo familiar, 20 a mais que a atual pesquisa da entidade já contempla.

O Dieese discute esse projeto há pelo menos um ano com a Secretaria Municipal de Trabalho e Renda (Semtrad), no afã de concretizá-lo por meio de convênio convênio, de acordo com a supervisora regional do Dieese, Alessandra Cadamuro. A secretária da Semtrad, Francinete Lima, explicou que a ideia do projeto já foi aprovada pela Prefeitura de Manaus, mas aguarda disponibilidade orçamentária e prazo legal para sua execução. “Esse convênio já passou por todas as partes legais. Estamos aguardando dotação orçamentária. Não tem como tocar este ano, mesmo sabendo que é de grande relevância”, disse, referindo-se ao empecilhos criados pelo calendário eleitoral. A pesquisa da cesta básica ampliada já funciona na cidade de São Paulo, através de uma parceria do Dieese com a Fundação Procon-SP. À cesta de Manaus seria acrescentado o peixe, item básico da alimentação regional.

Dos 31 itens pesquisados em São Paulo e que devem ser copiados pelo projeto local estão inclusos: arroz, feijão, açúcar, café, farinha de trigo, farinha, batata, cebola, alho, ovos, margarina, extrato de tomate, óleo de soja, leite em pó, macarrão, biscoito de maizena, carne de primeira, carne de segunda sem osso, frango, salsicha, linguiça, queijo mussarela). Dos itens de limpeza fazem parte: sabão em pó, sabão em barra, água sanitária e detergente liquido. Quanto ao material de higiene pessoal, a pesquisa contemplará papel higiênico, creme dental, sabonete, desodorante e absorvente. Na avaliação Fracinete Lima, a pesquisa possibilitará a formação de preço de gêneros básicos de consumo para entender o comportamento do mercado com vistas a implementação de políticas públicas locais.

Peixe de cada dia
 Alessandra Cadamuro afirma que a nova pesquisa da cesta básica “enriqueceria mais ainda a leitura do preços no mercado local. “Hoje a pesquisa da cesta básica tem o objetivo de mostrar uma tendência. É um indicador de quanto o trabalhador tem que trabalhar para comer. São 12 itens, o básico do básico. Conseguindo incluir produtos de limpeza e regionais, como peixes, de várias espécies, podemos ver ver como isso está afetando a renda da família”, observou Cadamuro, lembrando que o pescado é um item essencial da alimentação do manauara.

Nova pesquisa não excluiria a atual
 A atual pesquisa nacional da cesta básica, realizada pelo Dieese em 17 capitais, entre elas Manaus, continuaria existindo, caso a pesquisa ampliada, em parceria com a Semtrad, viesse a ser posta em prática. A atual pesquisa da cesta básica realizada pelo Dieese segue as definições do Decreto-Lei 399, de 30 de abril de 1938. De acordo com sua configuração, tomando por base os dados do levantamento realizado em julho, a capital amazonense ocupa a 6° colocação entre as cidades com preços mais altos em se tratando de gêneros alimentícios. Nesse mês, a soma dos 12 itens básicos pesquisados foi de R$ 279,06, o que seria suficiente para alimentar uma pessoa adulta. Para a metodologia, a coleta de preços é realizada em 99 estabelecimentos comerciais da cidade, entre eles mercados e supermercados. No fim das contas, a fotografia obtida pelo escritório regional do Dieese sobre as variações de preços, contempla informações de como a safra, fatores climáticos e inflação influenciam no bolso do consumidor final.

Reivindicações
O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é uma instituição do movimento sindical brasileiro. Foi fundado em 1955 para desenvolver pesquisas que fundamentassem as reivindicações dos trabalhadores por melhores salários. Ele atua nas áreas de: assessoria, pesquisa e educação.