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Manaus
Cotidiano, Cheia dos Rios, CPRM, Rio Negro

Manaus pode ter nova marca de cheia em 2012

Relatório hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) revela que o nível do rio está 3,21 metros acima que o mesmo período do ano passado 03/03/2012 às 09:33
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Em março de 2011, o rio Negro estava com a marca 26,29 metros, diferença de um centímetro em relação a este ano
Florêncio Mesquita Manaus

O nível do rio Negro registrado na manhã dessa sexta-feira (2), em Manaus, revelou que as águas estão somente um centímetro abaixo que a cota registrada no mesmo dia no ano de 2009, quando houve a maior cheia dos últimos 110 anos, no Amazonas, com marca de 29,77 metros.

O rio atingiu a marca de 26,28 metros, sendo que no mesmo dia em 2009 o rio registrou a marca 26,29 metros.

Os dados atuais do relatório hidrológico Serviço Geológico do Brasil (CPRM) revelam que o nível do rio está 3,21 metros acima que o mesmo período do ano passado.

Segundo o órgão, o nível do rio Negro está alto para esta época do ano sendo que o trimestre normal de águas altas, em Manaus, compreende os meses de maio, junho e julho. A alteração ocorre três anos depois da cheia que superou o recorde de 1953, quando o rio atingiu 29,69 metros.

De acordo com o gerente de recursos hídricos do órgão, Daniel Oliveira, a alta do nível do rio Negro, em Manaus, é causada entre outros fatores, principalmente pelas chuvas que ocorrem em toda bacia amazônica. A precipitação pluviométrica, segundo ele, faz com que haja a subida das águas dos rios Purus, Juruá e Solimões.

Com este último mais alto há uma espécie de represamento do Negro, aumentando o volume de água e consequentemente resultando em uma cheia maior na Capital. Segundo Daniel, o volume de água do rio Solimões em Manacapuru - localizado a 84 quilômetros de Manaus -, por exemplo, é em torno de 103 mil metros cúbicos, sendo que no rio Negro é de 28,4 mil metros cúbicos, o que totaliza uma diferença de 74,6 mil.

“As águas do rio Solimões também são mais densas e fortes e funcionam como um muro que represa o rio Negro e impede que ele passe. Isso faz com que o Negro suba”, disse.

Estimativa
Apesar do nível do rio Negro estar praticamente igual ao registrado no ano maior cheia, o CPRM ressalta que ainda não é possível afirmar se a cheia deste ano será recorde ou atingirá os mesmos níveis registrados em 2009. Segundo ele, o CPRM só faz previsão de cheia para o Amazonas nos três alertas de cheia oficiais divulgados pelo órgão em datas especificas.

O primeiro alerta ocorre no dia 1º de março, o segundo no dia 30 de abril e o último no dia 31 de maio. Os três alertas são para adiantar o panorama e comportamento do rio para uma cheia que ocorre em meados em de junho. A perspectiva de uma nova cheia recorde, contudo, é reforçada pela subida anormal de outros rios da região, como o Acre, no Acre, e Juruá.

Marcass
A cota da maior cheia no rio Negro, em 110 anos, teveo o registro de 29,77 metros. Foi atingida no dia 1º de julho de 2009. A cheia superou o recorde de 1953, quando o rio atingiu 29,69 metros.

Nessa sexta-feira (2), o rio Negro atingiu a marca de 28,28 metros, sendo que na mesma data, em 2009, o nível foi de 26,29 metros. O nível está 3,21 metros acima que a mesma data em 2011.

Alterações em outras calhas
A situação se repete também nas calhas dos rios do Solimões e Amazonas. Na calha do Solimões, em Tabatinga, por exemplo, o nível do rio está a 98 centímetros da cota de emergência na região.

No Careiro da Várzea, banhado pelo Amazonas, a medição realizada ontem apresentou níveis próximos aos registrados em 2009. Segundo o CPRM, os níveis estão de acordo com a cheia de 1999 que foi a maior cheia registrada nessa região.

Em 1999, a cota no dia 2 de março foi de 12,37 metros, a última medição feita na área no dia 29 de fevereiro marcou o nível de 12,12 metros, o que revela uma diferença de 25 centímetros. Na calha do Amazonas, em Parintins, o nível do rio também está próximo do valor registrado na mesma data do ano 2009.

Já na calha do Juruá, em Gavião (Carauari), faltam apenas 36 centímetros para o nível do rio atingir a cota de emergência.

Observações
Segundo o CPRM, o monitoramento e estudos históricos feitos pelo órgão ao longo de 110 anos demonstram que 76% das cheias na capital ocorreram em julho, 18% em junho e apenas 6% em maio. Apesar da incidência de cheias apresentar um quantitativo maior no mês julho, o gerente de recursos hídricos do órgão, Daniel Oliveira, explica que a subida dos rio pode ser antecipada por conta de alterações climáticas.

“Tudo depende do comportamento do rio. Assim como a cheia costuma acontecer no mês junho, se houver alguma alteração a cheia pode ser antecipada”, disse.

De acordo com o gerente, embora os alertas de cheia do CPRM sejam focados no Amazonas, este ano o órgão deve começar a fazer o mesmo serviço também para a cidade de Rio Branco, no Acre e para o o município de Boa Vista em Roraima (monitoramento do rio Branco).