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Manaus registra a cada dia um novo caso de parvovirose humana

Além do aumento nos registros em Manaus, médicos alertam para os sintomas, que podem confundir e prejudicar o tratamento 04/07/2012 às 07:37
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Entre os sintomas mais comuns da Parvovirose humana estão as manchas avermelhadas na pele, especialmente, de crianças
Maria Derzi Manaus

Doença que assusta até pelo nome, a parvovirose vem preocupando os médicos dermatologistas de Manaus, onde um novo caso vem sendo registrado a cada dia, segundo relatou a dermatologista Carolina Talhari.

Mas, segundo ela, a crescente incidência da doença não é único fator que preocupa os médicos. Os sintomas, que se confundem com os da rubéola, caxumba e sarampo, podem causar confusão na hora da busca pelo tratamento, principalmente, aplicado às crianças.

“Não podemos dizer que se trata de uma epidemia, porque os registros da doença estão sendo feitos no âmbito ambulatorial. Mas, a cada dia, aparece um novo caso”, revelou Talhari.

Manchas vermelhas na pele, área das bochechas, febre, mal estar e perda de apetite são alguns dos sintomas da parvovirose. A doença causa várias complicações clínicas, como inflamação da pele, eritroblastose fetal (quando o sangue do feto sofre aglutinação pelos anticorpos do sangue da mãe), anemia persistente e  diminuição temporária dos glóbulos vermelhos do sangue.

Mas, mesmo com tantas complicações e com uma nomenclatura difícil, se diagnosticada corretamente, a doença não é grave, embora os médicos de Manaus estejam apreensivos quanto ao aumento do registro de casos ambulatoriais da parvovirose nos últimos 40 dias, explica Talhari.

Transmissão
Transmitido por via oral, o  parvovírus B19 foi descoberto em 1975, mas é bem diferente do vírus que causa a doença de mesmo nome  entre os cães.

“É importante deixar claro que nos referimos à parvovirose humana que nada tem a ver com a parvovirose dos cães. É uma doença transmitida de pessoa para pessoa, não do animal para o ser humano”, explicou.

O vírus se transmite por contato direto com as secreções, como a saliva, a expectoração ou a secreção nasal, quando a pessoa infectada tosse ou espirra. Após um período de incubação entre cinco e 20 dias após o contato com o parvovírus B19, a criança pode manifestar um dos sintomas. Não há vacina para a prevenção da doença.

O Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e a Fundação de Vigilância da Saúde (FVS) informaram que a parvovirose não é de notificação obrigatória e não consta dos registros oficiais do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan Net). Ao atenderem pacientes sintomáticos, as unidades de saúde os encaminham para exames sorológicos diferenciados.

Gestantes
Os casos mais graves da Parvovirose ocorrem quando a transmissão do vírus é vertical, isto é, de mãe para filho durante a gravidez. Nesses casos, a doença pode, até mesmo, causar má formação do feto que, infectado, desenvolve anemia intra-uterina e insuficiência cardíaca fetal, podendo ocasionar o aborto.

Crianças não são as únicas vítimas
A maioria dos registros de parvovirose envolvem crianças menores de nove anos de idade.

O tratamento da doença é sintomático, isto é, não trata o vírus em si, mas os sintomas que surgem, como a vermelhidão, manchas e a dor de cabeça.

Apesar da maioria dos casos ser registrada entre crianças, a doença também atinge adultos, podendo ser mais grave em pessoas com deficiência no sistema imune, causando  alterações no sangue, dores articulares e podendo evoluir para uma anemia.

O vírus da parvovirose  pode se manifestar em qualquer lugar  e não está ligado a questões ambientais.É  uma doença sazonal, geralmente de evoluçao benigna, e os surtos acontecem, normalmente, uma vez por ano. No Amazonas, devido ao clima quente e úmido, a transmissão mais comum é nas escolas.