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Mangueiras centenárias de Manaus infestadas de ervas de passarinhos

Plantadas há mais de um século, as espécies existente  nas ruas e avenidas Constantino Nery, Praça da Saudade, Luiz Antony, Eduardo Ribeiro, Ferreira Pena, Bulevard Senador Álvaro Maia, 10 de Julho, Costa Azevedo e 24 de Maio estão bastante afetadas. 21/07/2012 às 19:31
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A situação das mangueiras da avenida Constantino Nery inspira cuidados, uma delas já morreu e outras estão infestadas pela erva de passarinho. Semmas diz que preparou uma ação para combater o crescimento da praga
Ana Célia Ossame Manaus

Ver uma mangueira morrendo após ter sido infestada pela espécie de parasita denominada  erva-de-passarinho (Struthantus flexicaulis), na Constantino Nery, próximo ao terminal de ônibus trouxe tristeza e indignação ao morador Antônio Nogueira, 57. A revolta maior dele, segundo explica, é que já são poucas espécies sobreviventes ali e a praga ameaça as demais, pois várias estão com o problema. “Já não temos tanta árvore como precisávamos, podiam proteger melhor as que temos”, desabafou.

Além das mangueiras (Mangifera indica), da Constantino Nery, plantadas ali há mais de 30 anos, há outras centenárias do Centro da cidade na mesma situação. Castanholeiras (Terminalia catappa) e  apuizeiros (Parkia pendula) plantadas no Centro, Zona Centro-Sul, e no canteiro central das avenidas Castelo Branco e Carvalho Leal, na Cachoeirinha, Zona Sul, também estão infestadas pela erva, que tem preferência por espécies frutíferas.

Sem mangas
Plantadas há mais de um século, as espécies existente  nas ruas e avenidas Constantino Nery, Praça da Saudade, Luiz Antony, Eduardo Ribeiro, Ferreira Pena, Bulevard Senador Álvaro Maia, 10 de Julho, Costa Azevedo e 24 de Maio estão bastante afetadas.

Na Carvalho Leal, mais de dez mangueiras estão ameaçadas de morte infestadas pela erva de passarinho. Segundo moradores, as espécies estão plantadas ali há mais de duas décadas e não vêm recebendo o cuidado necessário porque para combater essa praga é preciso um atendimento especializado. Segundo os moradores da rua Castelo Branco e Carvalho Leal, se houver demora na ação de combate, muitas árvores vão perecer. “Nunca tinha visto tanta erva-de-passarinho assim”, contou a aposentada Esmeralda Soares dos Santos, 65, moradora da Carvalho Leal. Ela nunca consumiu nenhuma manga das árvores plantadas no canteiro central da via pública, mas gosta da sombra produzida por elas.

Como a erva-de-passarinho ataca as plantas sugando sua seiva, deixando a espécie seca e improdutiva, os moradores dessas vias pedem uma urgente ação para permitir que, ao contrário da planta parasita, os passarinhos tenham as frutas e flores para se alimentar e celebrar a vida e a natureza com seus belos cantos harmoniosos.

Combate feito no fim de semana

Um cronograma de combate à essa planta parasita vem sendo cumprido nas ruas de Manaus, onde foi feito levantamento das espécies atingidas pela planta parasita,  informou o engenheiro agrônomo Heitor Liberato, diretor de Arborização, Paisagismo e Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). Mais de 60 espécies foram identificadas com a erva no início dos trabalhos, no último mês de março.

Liberato disse que alguma situação  contribuiu  para a grande proliferação da erva-de-passarinho, mas que com a poda e combate que vem sendo realizado, os resultados serão bons e duradouros.

Liberato disse que o trabalho está sendo concluído nas ruas do Centro como 10 de Julho e Costa Azevedo, Carvalho Leal e Cachoeirinha. Em seguida, o ponto de ação será a Constantino Nery. A demora na programação ocorre, segundo ele, por conta da especificidade do trabalho, feito nos finais de semana para não trazer transtornos ao trânsito, por consistir na poda de galhos, alguns de grande espessura, o que impede que seja feito durante a semana.

“É um trabalho de contenção e prevenção, porque a partir do momento que reduz a presença da parasita, que é conduzida pelos próprios pássaros”, disse ele, citando que a erva não é alimento principal dos pássaros, mas só se prolifera por ser levada por eles. O passarinho vai atrás da manga, da castanholeira, mas acaba transportando a semente da parasita, explicou.