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Manaus
PROTESTO

Manifestantes colocam faixas contra visita do deputado Jair Bolsonaro em Manaus

Cartazes foram colocados em várias partes da cidade denunciando condutas do parlamentar e pré-candidato à Presidência. Político cumpre agenda no Amazonas nesta quinta-feira (14) 14/12/2017 às 13:03
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Foto: Divulgação
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Movimentos sindicais, estudantis e políticos protestaram contra a visita do deputado federal e pré-candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSC), em Manaus. Faixas, cartazes e banners foram colocados em várias partes da cidade com o objetivo de denunciar as condutas e posicionamentos do parlamentar. O político, que já foi condenado por incitação ao estupro, danos morais por declarações racistas e acusado de propagar comentários machistas e homofóbicos, cumpre agenda no Amazonas nesta quinta-feira (14). Um boneco de 12 metros de altura foi preparado por apoiadores para recepcioná-lo na cidade.

Segundo integrantes dos movimentos, as faixas foram espalhadas pela cidade na noite dessa quarta-feira (13). Elas estão em pontos movimentados da capital e denunciam declarações machistas e evidenciam denúncias que dão conta de que o parlamentar é acusado de manter parentes na folha de pagamento da Câmara Federal e de receber R$ 200 mil não declarados da empresa JBS. Em uma delas, colocada na fachada do Teatro Amazonas, símbolo turístico do Estado, os movimentos questionam “Quem recebeu 200 mil da JBS, Bolsonaro?”.

De acordo com uma professora, membro do movimento estudantil, o objetivo das faixas é expressar a opinião dos militantes, porém sem enfrentamento direto. A educadora, que não quis ser identificada por medo de represálias, disse que o movimento pretende chamar a atenção da população para as acusações contra o parlamentar. “Partimos do princípio de que qualquer pessoa pode ser candidata, agora ter perfil e honradez, é outra história. É um direito nosso expressar a opinião. O cara foi condenado por divulgação de posições a favor do estupro e manifestações racistas. Não temos afinidade com esse tipo de postura”, disse ela.

A professora afirmou ser contrária ao convite feito para a formatura de alunos da Escola da Polícia Militar Waldocke Fricke de Lyra. “Isso tem a ver com a postura da militarização das escolas. Nos posicionamos contra, porque a Polícia Militar não tem como missão educar. Quem educa é o professor e pedagogo. A PM tem que cuidar da segurança, e vem fazendo muito mal deixando lacunas por aí”, disse ela.

Também professor, Raoni Lopes explicou que a ideia das faixas foi discutida no mês passado e se intensificou com a proximidade da chegada do político. Segundo ele, um grupo de manifestantes deve fazer uma mobilização pacífica na tarde desta quinta-feira (14) em frente à Arena Amadeu Teixeira. “O objetivo é ir lá e conversar com a população. Não é uma postura de enfrentamento, e sim de ideias, pois não somos iguais a ele. A gente quer disputar na democracia”, declarou.

Para ele, a visita a Manaus do pré-candidato à Presidência da República tem apenas fins eleitorais. “Aqui tem muita gente que admira o Bolsonaro. As pessoas dizem que foi convite dos estudantes, mas acima de tudo, é uma visita eleitoreira, que não tem sentido de fazer debate. É uma campanha antecipada”.

Agenda

Na capital, o deputado vai proferir palestra com o tema “Potencialidades da Amazônia”, de 14h30 às 16h30, no auditório do Hotel Blue Tree Premium, localizado na Av. Umberto Calderaro Filho (antiga Paraíba) nº 817, bairro Adrianópolis. A convite do “Movimento Bolsonaro Amazonas”, o deputado federal vai abordar temas como: integração nacional (estradas, rodovias, hidrovias e aeroportos), segurança pública, economia, sustentabilidade, mobilidade, entre outros.

Ainda em Manaus, o parlamentar participa às 18h, na Arena Amadeu Teixeira, da formatura de alunos do Ensino Médio do III Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM) Escola Estadual Waldocke Fricke de Lyra. O convite partiu dos próprios estudantes.

À noite, Bolsonaro visita o município de Manacapuru para acompanhar atividades da Marinha do Brasil no interior. Em seguida, ele retorna à Brasília.