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Marin ignora pressão sobre Mano e diz que derrota em Londres é "página virada"

Durante os treinos, houve uma tentativa de aliviar o clima de tensão. José Maria Marin, que não tem o costume de frequentar as atividades físicas da seleção, apareceu no estádio 13/08/2012 às 18:16
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José Maria Marin (centro) presidente da CBF
UOL Estocolmo (Suécia)

Até o ultimo sábado, a passagem da seleção brasileira por Estocolmo era esperada como uma festa dupla – além do fechamento do Estádio Rasunda para partidas de seleções, o amistoso de quarta-feira estava planejado como a primeira parada de uma turnê comemorativa para a conquista do inédito ouro olímpico. Porém, o cenário sofreu uma alteração vertiginosa após a derrota para o  México, em Wembley, por 2 a 1. O que se vê na Suécia é o futebol perdendo espaço para o ambiente tenso dos bastidores da seleção brasileira.

Durante os treinos, houve uma tentativa de aliviar o clima de tensão. José Maria Marin, que não tem o costume de frequentar as atividades físicas da seleção, apareceu no estádio e teve uma conversa reservada com Mano Menezes, encerrada com um aperto de mão. Ao ser questionado, afirmou que apenas assuntos de futebol tinham sido abordados e que o segundo lugar em Londres era ‘’página virada’’. ‘’Não quero mudanças, a hora é de serenidade. Claro que senti a derrota, não sou hipócrita. Mas é hora de olhar para a frente’’, afirmou o dirigente. 

Ainda que tenha sido defendido publicamente pelo presidente da CBF, José Maria Marin, o treinador da seleção brasileira está longe de uma situação confortável no cargo. O apoio a Mano não é uma unanimidade na cúpula da CBF e um sinal claro foi dado pela esquiva de Marco Polo Del Nero, cujo acúmulo de cargos o faz um grão-vizir da entidade, em manifestar publicamente sua opinião sobre o assunto. Hoje à tarde, durante o treino da equipe no Söderstadium, Del Nero desconversou diante das perguntas dos jornalistas. ‘’Se me perguntarem, vou dar minha opinião. Mas não fui perguntado, então não pensei no assunto’’, afirmou.

Inegável, porém, é que a perda do ouro poderá fazer com que um amistoso inócuo possa ter consequências bem mais relevantes para o futuro da seleção brasileira.

Uma derrota aumentará ainda mais a pressão sobre Mano e poderá também esgotar a paciência de Marin, cuja gestão ficou marcada por um intervencionismo público muito maior que o de seu antecessor, Ricardo Teixeira. Antes dos Jogos de Londres, o presidente criou polêmica ao sugerir que tinha poder de veto sobre convocações e ao insinuar que uma derrota olímpica derrubaria o treinador.

Para complicar a situação, o zagueiro Thiago Silva não treinou na tarde de hoje, com dores na coxa, o que poderá obrigar Mano a escalar David Luiz ao lado de Dedé – os dois jamais atuaram juntos pela seleção.

A CBF aproveitou para anunciar que a seleção jogará o amistoso com uma réplica da camisa azul com que conquistou a Copa do Mundo de 1958, no mesmo estádio da partida de quarta-feira.