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Manaus
CENTRO HISTÓRICO

Marquise retirada de prédio histórico no Centro está em fase final de restauração

A peça de metal fundido quase centenária havia sido removida irregularmente no ano passado por funcionários da loja Marisa 19/09/2017 às 16:27 - Atualizado em 19/09/2017 às 16:49
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Foto: Divulgação
Vinicius Leal Manaus (AM)

A marquise que foi retirada irregularmente da fachada de um prédio histórico na avenida Eduardo Ribeiro, no Centro de Manaus, onde funciona uma unidade das lojas Marisa, está em fase final de restauração. Após os órgãos competentes autorizarem as obras, no último dia 29 de agosto, a peça de metal fundido quase centenária, datada do início do século XX, passou a ser recuperada e está quase totalmente pronta.

“As peças, antes, estavam acondicionadas de forma inadequada, numa serralharia no bairro Alvorada. Depois, isso se resolveu e arranjaram um galpão mais apropriado”, explicou o arquiteto e urbanista Humberto Barata, da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), responsável por acompanhar o restauro.

De acordo com ele, uma empresa foi contratada pela rede de lojas Marisa para restaurar a marquise, sob responsabilidade de outro arquiteto, Alfredo Marques Júnior. “Se contratou essa empresa para fazer o jateamento (jato) das peças, que serve para retirar a corrosão, a ferrugem e ficar só a chapa de aço. Depois, o tratamento anti-corrosivo e então a pintura”, explicou Barata.

Uma equipe multidisciplinar de várias áreas trabalhou no processo. “Uma obra de restauro não é uma obra qualquer. Durante os anos, quando se fazem pinturas, se perdem os detalhes da peça. A tinta vai encobrindo e os detalhes se perdem. Então foi feito o jateamento para remover essas impurezas”, comentou Humberto Barata.

Porém, o objetivo maior foi preservar a estrutura original. “A gente só sabe o estado da peça quando se tira toda a tinta. Esse jateamento tem que dosar a pressão, igual maquininha de pressão de água. Se tu joga uma pressão muito forte, acaba danificando a peça por inteiro. Mas só é substituído aonde precisa ser mexido. Quanto mais do material original puder preservar, melhor para o objeto em si, para manter a originalidade e a integridade física dele”.

Substituição de peças

Outro processo importante no restauro da marquise foram os enxertos. “São quando são colocadas peças novas, moldadas com material adequado. Agora, o que está faltando é um pedaço da calha que estava bastante danificada e precisou ser substituída. Inclusive, a parte curva que teve que ser moldada”, disse Humberto Barata. “Também faltam os vidros que estão vindo de São Paulo”.

A previsão para o fim dos trabalhos é final do mês de outubro e a inauguração no início de novembro. “A Marisa quer entregar até o final de outubro e inaugurar depois do Dia dos Finados”, revelou o arquiteto da SEC.

Restauro da fachada

Além da restauração da marquise, a fachada do prédio histórico também precisa passar por recuperação. “Tem patologias na fachada que precisam ser sanadas, como vegetação, argamassa. Está se trabalhando nisso para depois começar o trabalho de fixação das peças que vão dar o suporte da marquise”, completou o arquiteto da SEC.

Outro detalhe interessante no resgate da estética do imóvel é a cor da fachada, que deve receber nova pintura. “Vai ser feito uma nova proposta cromática mais adequada, porque o prédio é histórico, para valorizar a própria edificação antiga”, disse Humberto Barata. Porém, a cor decidida não foi revelada.

Símbolo da Belle Époque

Ano passado, em novembro, a marquise havia sido removida irregularmente por funcionários da rede de lojas Marisa, após apresentar risco de desabamento. A empresa chegou a ser multada e a obra embargada, mas adaptações feitas no projeto permitiram que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) concedessem as devidas autorizações.

“Originalmente, a marquise não estava lá quando o prédio foi construído, no final do século XIX. Mas já a partir de 1926 a gente já tem imagens dele (prédio) com a marquise. Nas teorias no restauro, não se deve descartar mesmo não sendo original, porque ela está lá durante um período e acabou se incorporando à história da edificação. E não deixa de ser um símbolo da Belle Époque”, finalizou Humberto Barata.

Multa cancelada

Antes, a rede de lojas Marisa havia sido multada em 100 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs) – cada UFM equivale a R$ 92,97 – pela falta de autorização da obra, na época. Porém, o Implurb aceitou a defesa da Marisa e cancelou a multa, considerando a autorização expedida pelo Iphan.