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Manaus
ZONA OESTE

Lixo hospitalar é descartado irregularmente em frente de escola no São Jorge

Uma parte do material estava dentro de uma caçamba de lixo e outra jogada pela rua, como agulhas, ampolas e tubos de ensaio com resto de sangue 15/05/2018 às 20:24
Show escola 123
Foto: Evandro Seixas
Danilo Alves Manaus (AM)

Centenas de materiais hospitalares foram descartados na noite de segunda-feira (14), dentro de uma caçamba de lixo, localizada em frente à Escola Estadual Castelo Branco, no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus. Entre os equipamentos, agulhas, ampolas e diversos tubos de ensaio contendo sangue foram encontrados por volta das 6h de ontem por professores e alunos da escola.

De acordo com o professor Orlando da Silva Barbosa, 49, os objetos estavam espalhados pelo chão, inclusive agulhas que já tinham sido utilizadas por pacientes e  estavam armazenadas dentro de galões de plástico e caixas amarelas de descarte. Ele explicou que, quando viu o risco que os materiais poderiam afetar os estudantes, acionou a direção.

“A gestora da unidade precisou recolher boa parte do material que estava no chão e colocou em um local com menos exposição para os alunos. Mesmo assim, agulhas, ampolas e alguns frascos vazios continuavam espalhados. Depois disso, solicitamos a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), para que nos auxilie no recolhimento desse tipo de material”, explicou.

A estudante Yasmim Flores, 16, estuda na escola e disse que flagrou alunos brincando com os materiais pouco antes da aula começar.

“Eles estavam expostos a muitas doenças e nem sabiam. Mesmo assim, dois ou três colegas começaram a desorganizar ainda mais o local, chutando parte do lixo hospitalar para longe”, denunciou. 

A caçamba de lixo foi alugada pelo empresário Thiago Velasques, 32, enquanto ele realiza uma obra no escritório que montou na Alameda Anderson Menezes, em frente à escola. Ele mostrou que, por conta da falta de qualidade, as imagens das câmeras de segurança não conseguiram identificar os suspeitos, no entanto, a câmera registrou o momento em que um carro branco chega ao local para despejar os materiais.

“Era por volta das 10h45. Um carro modelo Argo, de cor branca e placa não identificada, estacionou em frente à caçamba de lixo e começou a descartar os dejetos. Eu tomei um susto quando descobri. E o pior que não conhecemos nenhuma clínica próxima”, afirmou.

O caso, segundo Thiago, deve ser registrado na Delegacia Especializada em crimes contra o Meio Ambiente (Dema). Agora o empresário disse que está preocupado com o descarte do material.

“Eu não tenho responsabilidade por isso e sim quem jogou aqui. Quero que esse lixo seja jogado de forma correta e achem o irresponsável que fez esse tipo de prática”.

Denúncia recebida

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informa que recebeu  a denúncia às 16h28  de ontem  e vai, por meio da Vigilância Sanitária, apurar o ocorrido.  A Semsa ressaltou, ainda, que no que se refere às unidades de saúde do município, tem contrato com empresa especializada no descarte desse tipo de material.

O descarte irregular desse tipo de resíduo é crime ambiental, com pena prevista de um a cinco anos de reclusão, segundo o artigo 54, §3º, da Lei 9.605/98, datada de 12 de fevereiro de 1998 e que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.No Brasil a RDC (Resolução de Diretoria Colegiada) 306, de 7 de Dezembro de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a Resolução 358 de 29 de abril de 2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), são, hoje, as principais leis pertinentes ao gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, os chamados RSS, embora não as únicas.

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