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Médica defende o uso de vacina contra HPV em tribuna popular

De acordo com a ginecologista Mônica Bandeira, o vírus é responsável por 90% dos casos de câncer de colo de útero 23/05/2012 às 15:34
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Tribuna Popular na CMM aborda temas relacionados ao câncer de útero
acritica.com Manaus

A médica ginecologista obstetra Mônica Bandeira de Melo esteve, na manhã desta quarta-feira (23), na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e participou de uma tribuna popular, a convite do presidente da Comissão de Saúde, vereador Homero de Miranda Leão (PHS). Ela defende que a rede pública de saúde ofereça, gratuitamente, a vacina contra o HPV.

“O HPV é responsável por mais de 90% dos casos de câncer do colo uterino. É a DST mais comum no mundo todo. Tem como evitar usando camisinha. Mas não só isso, porque não previne 100%. Nas preliminares o HPV é transmitido. É preciso fazer o exame preventivo, o papanicolau”, informou.

Segundo a médica, atualmente, apenas duas clínicas oferecem a vacina em Manaus e os preços são altos. De acordo com ela, o Amazonas é o Estado com o maior índice de câncer do colo uterino do País. Este tipo de câncer pode se desenvolver a partir do vírus HPV. “Enquanto em todos os outros Estados o câncer de mama lidera o número de casos de câncer em mulheres, no Amazonas é o câncer de colo do útero.

“Os casos aumentam a cada dia, porque estamos numa região de dimensão continental. Os rios são nossas estradas. Há mulheres, no interior do Estado, que esperam de três a quatro meses para receber o exame preventivo. Há dificuldade de acesso ao exame preventivo. Há a preocupação de quem faz a coleta. Tem que ser um médico ou um enfermeiro especializado. Não pode ser um técnico de enfermagem”, ressaltou.

A ginecologista e obstetra alerta, ainda, para que toda menina que comece a vida sexual procure um médico especialista para a realização do papanicolau, pelo menos uma vez por ano. “Muita gente pensa que o HPV causa apenas câncer do colo do útero. Não. Causa também câncer de pênis, de ânus e de vulva. Há mais de 70 anos que, no Brasil, se conhece a relação do HPV com esses tipos de câncer. Existe a vacina, mas não existe na rede pública”, esclareceu.

Mônica Bandeira de Melo disse que muitas pessoas desconhecem a existência da vacina, que é recomendada para meninas de 10 anos a mulheres de 25 anos, inicialmente, porque é a faixa etária em que surte efeito imediato. As mulheres acima dessa idade também podem ser vacinadas, assim como as que já contraíram o vírus. “Preferencialmente, deve ser aplicada em meninas que não tenham começado qualquer atividade sexual, porque previne”, disse.

A médica ressaltou, também, que todo o cuidado com a prevenção é necessário. Além do uso da camisinha durante a relação sexual, ela recomenda a vacina.

“Quero fazer como já é feito em mais de 30 países do mundo, em que a vacina é encontrada na rede pública. Por que não no Brasil? Na nossa região, principalmente. O câncer de pâncreas e o de mama, por exemplo, não podem ser prevenidos. Eles têm tratamento, mas não podem ser prevenidos. O de colo uterino, sim. Existe o vírus e existe a vacina. Tem coisa mais fantástica do que ter uma vacina contra um vírus?”, questionou.

Segundo Mônica Bandeira de Melo, já há parcerias com uma das clínicas particulares para que ofereça a vacina preventiva a um preço mais baixo, uma vez que a dose custava, em média, R$ 400. Também estão sendo feitas parcerias com empresas, a exemplo da Coca-Cola, para que sejam realizadas palestras de conscientização em escolas e no interior sobre o perigo do vírus HPV e formas de prevenção.

“Os adolescentes e os pais deles recebem muito bem essas informações. A maioria deles nem sabia o que é o HPV, as causas e nem que existia uma vacina contra o HPV em clínicas particulares”, disse.

O vereador Homero de Miranda Leão anunciou, durante a tribuna, que o projeto de lei, de autoria do vereador Reizo Castelo Branco (PTB), aprovado na CMM e que determina que a rede municipal de saúde disponibilize a vacina contra o HPV, será sancionado pelo prefeito Amazonino Mendes (PDT). “Eu conversei com ele enquanto a dra. Mônica falava e ele me garantiu que sancionará o projeto, fazendo uma pequena alteração quanto ao tempo para a regulamentação, que deverá de pouco mais de 180 dias. Em janeiro, a rede pública municipal já estará executando a proposta”, afirmou o humanista.