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Médico é acusado de cobrar dinheiro para fazer cesariana em unidade pública

Caso ocorreu na tarde dessa sexta-feira (11/05), segundo relatos do marido da gestante Juliana Lima de Sousa, o topógrafo Thiago Matos de Vasconcelos, 21 11/05/2012 às 21:42
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Tiago Matos relata o drama enfrentado para conseguir cirurgia cesariana para esposa gestante
acritica.com Manaus

A grávida Juliana Lima de Sousa, 16, recebeu indevidamente uma proposta para pagar se quisesse ter sua cesariana realizada por um médico na Maternidade Chapot Prévost, localizada no bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste de Manaus, mas se recusou e disse que iria procurar seus direitos. O hospital é uma unidade pública de saúde. O caso ocorreu na tarde desta sexta-feira (11/05), segundo relatos do marido dela, o topógrafo Thiago Matos de Vasconcelos, 21.

De acordo com Thiago Matos, o ginecologista e obstetra identificado como Armando Araújo exigiu uma quantia em dinheiro para realizar a cirurgia, após identificar que a adolescente não poderia passar por um parto normal por conta de tamanho do bebê.

Thiago explicou que a mulher esteve na maternidade, na última quinta (11/05), de onde foi encaminhada à Maternidade Ana Braga, localizada na Avenida Alameda Cosme Ferreira, São José, Zona Leste, para passar por uma ultrassonografia morfológica, a qual detecta o estado do bebê. Na ocasião, foi constatado que ela já estava entrando em trabalho de parto, mas poderia retornar à residência e voltar no dia seguinte para a Chapot Prévost, onde teria a cesariana realizada.

Nesta sexta, ao chegar ao local e ser atendida pelo médico Armando Araújo, informou Thiago, o obstetra pediu para que ela pagasse pela cirurgia, mas não informou o valor. Ao fazer a proposta o médico disse o seguinte ao pai da gestante, conforme explicou o pai da criança: “Mas ela (gestante) sabe que vai ter que rolar dinheiro (pela cirurgia). E cadê o pai da criança?”, comentou. “Ele (médico) perguntou no que a gente trabalhava e tudo mais, isso para ver o quando ele ia cobrar. Tinha uma enfermeira junto (no consultório), destacou”.

Ao dizer que não tinha dinheiro, o médico se recusou a interná-la no hospital e a encaminhou à Maternidade Ana Braga novamente, onde no momento ela se encontra no pré-parto para em seguida ter o bebê. “Entramos em contato com a Susam (Secretaria de Estado de Saúde) e um médico nos ligou de volta falando que era para denunciarmos o médico”, explicou, relatando que ao tentar localizar, em seguida, Armando Araújo, ele não se encontrava mais na maternidade.

“Ele disse que ia para o Instituto da Mulher (Avenida Mário Ypiranga Monteiro, antiga Recife) e um médico que atendeu minha esposa disse que já tinha tido outras reclamações quanto a este médico”, concluiu Thiago.

Ele disse, ainda, que formulou denúncia por escrito e entregou para a diretoria e assistência social do Hospital Estadual Chapot Prévost, que segundo ele, se comprometeu em abrir sindicância administrativa contra o obstetra Armando Araújo. “Além disso, a diretora do Chapot Prévost nos orientou recorrer à Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam) e ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para que esses órgãos avaliem a conduta do médico”, concluiu Thiago.

A equipe de reportagem da acritica.com esteve no Chapot Prévost para solicitar esclarecimentos do médico acusado, porém o obstetra Armando Araújo não estava na unidade de referência da Zona Leste. De acordo com o marido da jovem, o plantão do médico vai até às 19h, no entanto, depois que mãe de Juliana Lima ameaçou acionar a Susam, o obstetra teria deixado o hospital às 17h, logo após ocorrido o fato. A reportagem foi até as unidades de saúde para tentar falar com o médico, mas ele não foi localizado pela equipe. 

Resposta Susam

Por volta das 20h a assessoria de imprensa da Susam afirmou que não tinha possibilidade de entrar em contato com a direção da maternidade nem com demais responsáveis, pois o horário de expediente da secretaria se encerra às 17h.  A assessoria disse ainda que a denúncia só passará a ser investigada após a denunciante entregar a reclamação por escrito na sede da Secretaria (na Avenida André Araújo, São Francisco, Zona Centro-Sul de Manaus), passando por todos os procedimentos burocráticos e autorização do secretário de saúde.

A reportagem tentou entrar em contato, pelos telefones 3656-0531 e 9168 XXXX, com o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-AM), Jefferson Jezini, mas não obteve sucesso.