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Manaus
Colo útero

Médicos do Amazonas alertam para importância da prevenção no combate ao câncer de colo de útero

O Estado do Amazonas é lider em incidência de casos de câncer do colo uterino. Especialistas alertam mulheres para importância da prevenção 01/02/2012 às 10:52
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Em 2012, serão diagnosticados 600 novos casos de câncer de colo de útero no Amazonas, dos quais 490 serão na capital
Ana Célia Ossame Manaus

O Amazonas e a capital, Manaus, são os campeões brasileiros na incidência de câncer de colo útero e as estimativas divulgadas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), informa que neste ano serão de diagnosticados 600 novos casos desse tipo de câncer, dos quais 490 serão na capital. “É um problema de saúde pública importante”, afirma a médica ginecologista Grasiela Leite, criticando a falta de ginecologistas em todos os postos de atenção básica de saúde.

 Mas a coordenadora de Atenção Oncológica da Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon), Marília Muniz, atribui ao crescimento das estatísticas a melhora da qualidade do diagnóstico precoce. “Estamos fazendo busca ativa das mulheres que apresentam lesões precursoras da doença em todos os municípios”, afirma.

Às vésperas do Dia Mundial de Combate ao Câncer, dia 4 deste mês, Grasiela Leite explica que se houvesse uma prevenção mais efetiva mantendo-se ginecologistas na rede básica para atender as mulheres, haveria uma redução do número de casos graves e de mortes por câncer de útero. Em muitos postos de saúde, segundo ela, quem faz o exame preventivo são enfermeiras que não sabem identificar lesões e nem orientar as pacientes. Além disso, muitas mulheres fazem o exame, mas não vão buscar o resultado e como o câncer no início não apresenta sintomas como dor, a mulher deixa de fazê-lo.

Vacina contra HPV

A médica ginecologista chama a atenção ainda para a importância da aplicação da vacina do HPV nas mulheres menores de 26 anos. “Sai mais barato para o governo do que tratar o câncer”, explica ela, lamentando que a vacina não esteja disponível na rede pública para todas as mulheres, enquanto na rede privada tem um custo elevado para a maioria da população. Ela aponta o início precoce da vida sexual, a multiplicidade de parceiros e não uso do preservativo como as principais causas da incidência do Papilomavírus humano, o HPV, doença relacionada com 99% do câncer de útero. Grasiela alerta ainda para o fato do preservativo não proteger a vulva (a parte externa do órgão genital da mulher) do HPV, popularmente conhecida como “Crista de Galo” ou verruga genital, daí a importância da vacinação. Ao lembrar que o HPV não tem cura, apenas tratamento, ela defende que a educação sexual seja um tema tratado nas escolas para orientar as crianças e adolescentes a evitá-lo. Outro ponto citado é que, em épocas de festas como Carnaval, que ocorre neste mês, há um o aumento do número de DSTs, por isso é fundamental intensificar as campanhas de conscientização.

Marília Muniz, da FCecon, explica que as ações estratégicas do Programa Saúde da Família melhoram a qualidade da informação sobre o câncer envolvendo todos os 62 municípios amazonenses. “Estamos indo atrás de mulheres que nunca fizeram o preventivo e fazendo o rastreamento daquelas cujo laudo aponta alterações seja de baixo ou alto grau”, afirma ela, justificando o crescimento das estatísticas à busca ativa das mulheres com resultado positivo para lesões.

 Segundo Marília, existe ainda muito tabu envolvendo maridos que impedem as mulheres de fazerem o exame preventivo com profissionais do sexo masculino e outras que têm medo de dor e por isso se recusam em fazê-lo. “O exame preventivo é indolor e é fundamental para prevenir o câncer de colo”, finaliza.

Exames devem ser rotina

 Especialista em mama, o ginecologista Gérson Mourão lembra não existir prevenção para esse câncer. Por isso é importante o diagnóstico precoce que aumenta as chances de cura e de preservação da mama. Infelizmente, afirma ele, ainda é mito no Brasil a importância da mamografia. “Quando a maioria chega ao serviço de saúde, já está com a doença em estágio avançado”, lamenta ele, para criticar o mito ainda presente na sociedade das pessoas dizerem que quem procura acha como se isso fosse ruim.

No caso do câncer de mama, quanto mais cedo for identifica e tratado, menos danos causará à mulher, explica o médico, citando a luta empreendida pelos médicos para a ampliação da oferta de exames de mamografia no serviço público de saúde, só assegurada recentemente, garantindo o direito à mulher a fazer um exame a cada ano. “Só isso poderá tirar o Brasil da vergonhosa posição de um dos maiores índices de mortalidade causada por esse tipo de câncer”, diz.