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Médicos e acadêmicos protestam em Manaus contra projeto de revalidação automática de diplomas

De autoria da senadora Vanessa Grazziotin o projeto prevê que médicos detentores de diploma estrangeiro - em especial formados em Cuba -, não precisam ser submetidos à revalidação do diploma em território brasileiro 24/04/2012 às 16:33
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Categoria médica e acadêmicos de Medicina pretendem realizar outras manifestações na cidade
Síntia Maciel Manaus

O projeto de lei da senadora Vanessa Grazziotin (PC do B) que trata sobre a revalidação automática dos diplomas de médicos formados fora do Brasil foi alvo de um protesto nesta terça-feira (24), pela manhã, no bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, promovido pelo Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) e os diretórios acadêmicos das três faculdades de Medicina de Manaus, UEA, Ufam e Nilton Lins.

Munidos de faixas e cartazes, professores e acadêmicos de Medicina, médicos e alguns parlamentares participaram do protesto.

O projeto nº 015/2012 prevê que médicos detentores de diploma estrangeiro - em especial formados em Cuba -, não precisam ser submetidos à revalidação do diploma em território brasileiro. Os mesmos iriam atuar no interior dos Estados, sem a necessidade de testes ou exames sobre o que foi apreendido fora do País.

“Queremos chamar a atenção da sociedade para um problema que afeta não só a categoria médica, mas toda a categoria de Saúde e a sociedade. Que tipo de profissional estará sendo enviado para cuidar da saúde de quem se encontra no interior”, salienta a diretora de Comunicação do Simeam, a médica Patrícia Sicchar.

Segundo ela, a revalidação dos diplomas se faz necessário pois as grades curriculares das faculdades do exterior são totalmente diferente daquilo que é ministrado nas academias brasileiras. A médica também chama a atenção para o fato de que, em qualquer lugar do mundo, qualquer profissional que queira exercer a sua função tem que ser submetido a avaliação.

Ela salienta que a revalidação dos diplomas como vem sendo feita atualmente por meio do  Revalida  - uma espécie de prova organizada pelo Ministério da Educação (MEC) -, se mostra eficiente, apesar do mesmo ter sofrido algumas alterações em sua segunda edição. A média para aprovação de 7,0 foi reduzida para 6,0.

Ainda de acordo com Sicchar, o projeto também se mostra uma manobra politiqueira uma vez que a maioria dos estudantes que foram para Cuba cursar medicina, só o foram devido o vínculo com algum partido político.

Ela estima que um total de 400 mil profissionais e 200 mil acadêmicos de Medicina, em todo o País estão fazendo mobilizações contra o projeto  apelidado no meio acadêmico como”Fronteiras Abertas”

“O médico não é contra atuar no interior, o que falta é dar suporte, criar uma carreira dentro do Estado, como ocorre no Ministério Público e no Tribunal de Justiça, em que os juízes e promotores começam atuando no interior do Estado, até virem para a capital por critérios como merecimento ou idade”, observa Patrícia Sicchar.

Para o acadêmico de Medicina e finalista do curso, pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Bruno Braga, 27, o projeto vai prejudicar quem passou anos em uma universidade – a média de um curso de Medicina nas academias brasileiras é de 6 a 7anos -, já que os principais beneficiados, os acadêmicos de Cuba, passaram bem menos tempo que isso.

“Tenho amigos que estão em Cuba e não são contra o Revalida. Muito pelo contrário são contra o ‘Fronteiras Abertas’”, opina.