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'Megabandidos' colecionam vítimas e ousam nos crimes em Manaus

Na capital do Amazonas, tem sido cada vez mais frequente encontrar bandidos com sintomas de psicopatias que usam de violência extrema 09/09/2012 às 15:37
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O traficante e homicida Janderson Vieira Honorato, preso esta semana, confessou ter assassinado três ‘desafetos’ e ainda prometeu matar mais quando for solto
Maria Derzi Manaus (AM)

Nos últimos tempos, a população de Manaus vem testemunhando e sendo alvo da ação de assassinos, sequestradores e estupradores que colecionam um grande número de vítimas ou que se utilizam de atos de crueldade extrema para ferir, violentar e matar seus ‘alvos’.

São os chamados megabandidos, pessoas que, geralmente, apresentam psicopatias agudas ou que não têm limites para praticar a violência. E, mesmo diante da perversidade com que esses crimes são executados, muitos criminosos continuam à solta.

É o caso do traficante e homicida Janderson Vieira Honorato, acusado de matar, esta semana, o usuário de drogas Eric Gama de Castro e mais três homens, todos traficantes de gangues rivais, que disputavam o tráfico com o grupo de Janderson. Os três foram executados entre 2009 e 2011.

Em depoimento à polícia, Janderson falou com frieza sobre os crimes e não se emocionou nem ao lembrar  que degolou e esfaqueou suas vítimas, usando uma faca de cozinha. Segundo o delegado Rolim da Cruz, o criminoso ainda disse que “matou e matava de novo”, porque as vítimas estavam devendo dinheiro a ele.

No dia seguinte, na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros(DEHS), Janderson confessou ter cometido, ao todo, 19 assassinatos.E ainda prometeu que vai matar novamente, com a certeza de que vai sair da cadeia em breve.

Contra ele, consta apenas um processo: crimes do sistema nacional de armas, cuja sentença do dia 25 de julho determinou a pena de três anos de reclusão, sobre a qual o juiz acrescentou: “O réu é possuidor de bons antecedentes (STJ Súmula n. 444); Poucos elementos foram coletados a respeito de sua conduta social e personalidade, razão pela qual deixo de valorá-la; Os motivos do delito são próprios do tipo; a conduta não teve maiores conseqüências, sendo que não se pode cogitar sobre o comportamento da vítima”.

estupros

Na semana passada, Herley Nascimento Santos, 31, foi preso acusado de cometer 22 estupros. Ele seguiria o ritual de violentar crianças, adolescentes e mulheres adultas entre 5h30 e 7h30 da manhã, horário em que as vítimas iam para a escola ou para o trabalho. Mas, ao contrário de Janderson, ele nega todos os crimes.

Frieza e falta de sensibilidade foram características destacadas na suposta ação do criminoso, que teria estuprado uma criança de 11 anos. A menina precisou passar por uma cirurgia para reconstruir o útero, dada a violência.

Harley foi acusado por estupro de vulnerável, homicídio e tentativa de homicídio. Ele é citado em três processos, todos instaurados este ano: porte de arma, extorsão e tentativa de homicídio.

 Violência é um reflexo da sociedade

Segundo especialista, a psicanálise explica os atos de violência extrema como uma estruturação de personalidade sociopata.

Para a psicóloga Betty Bonfim, o aumento dos crimes violentos  pode um reflexo da situação social da população.

Para psicóloga Betty Bomfim, que leciona psicologia forense na Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro), o aumento dos casos de crimes violentos em Manaus pode ser considerado um reflexo da situação social da maioria da população.

“Existem várias teorias que explicam o comportamento humano. Pela psicanálise, é uma estruturação de personalidade sociopata, uma falta de empatia, que é a capacidade de se incomodar com a dor alheia por não ver o outro como um sujeito e, sim, um objeto”, explicou.

Betty avalia que não é natural, em Manaus, a prática de crimes extremamente violentos.  Mas, que a constância desses casos, ultimamente, pode ser encarada como fruto de comportamentos humanos construídos a partir de uma sociedade sem parâmetros éticos e morais bem definidos. “No momento em que esses sujeitos estão inseridos em uma sociedade em que há uma inversão de valores, que não tem modelos éticos bem definidos e claros, eles tenderão a agir conforme lhes convier. Vão buscar a satisfação dos desejos deles, sem considerar o outro”, analisou.

A professora explica que esses casos já existiam, mas que atualmente estão sendo mais divulgados. “Ao mesmo tempo em que se expande o conhecimento desses casos, se criam modelos. Uma pessoa que já tem uma determinada tendência, que está numa sociedade em que as desigualdades são maiores, vendo esse tipo de exemplo, pode repetir o exemplo”, disse.

A psicóloga também acredita que o aumento da criminalidade nos Estados brasileiros  e sua divulgação pela mídia também pode ser um dos fatores que vem influenciando na prática de crimes extremos.

“Acredito que isso pode ter ocorrido. Mas, é preciso avaliar se os autores desses crimes extremos são daqui ou de outras regiões. Se forem daqui, como os sujeitos que apresentam essas características tendem a não seguir modelos de comportamento éticos e morais, é possível que eles se espelhem nos exemplos que veem em outras localidades”, analisou.

Casos graves

Entre os casos famosos com grande número de vítimas está o do estuprador do conjunto Eldorado, Anderson Pereira da Silva, que violentou oito mulheres e  foi preso em março de 2012. Outro caso de repercussão foi crime de Antônio dos Santos Soares, o “Toni”, que, em 2007, matou cinco mulheres - uma delas sua própria filha - e as enterrou em uma quitinete que alugava, no bairro Santo Agostinho, Zona Oeste.  Toni morreu numa rebelião no Instituto Penal Antonio Trindade (Ipat).