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Menina baleada foi vítima do tráfico de Manaus, diz polícia

Morte da menina baleada próximo à escola de samba tem relação com traficantes que dominam área do São Francisco 21/02/2012 às 11:13
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Um protesto na última segunda, em frente à residência de Wellen, visou alertar para a violência no bairro São Francisco
Maria Derzi Manaus

O caso da menina Wellen Francisca Barbosa da Silva, 12, baleada na última sexta-feira (17) em frente à Escola de Samba Primos da Ilha enquanto se preparava para desfilar pela agremiação, está sim, relacionado com acerto de contas referente ao tráfico de drogas que domina a área do bairro São Francisco, Zona Sul da cidade. A confirmação é do delegado plantonista do 3º DIP, Agnelo  de Andrade, que tomou o depoimento do pai da criança, durante a tarde de ontem, 20.

Segundo ele, mesmo com o medo que impera entre os moradores da área, a polícia já sabem quem efetuou os disparos que atingiram a menina. “Nós já sabemos que foi um acerto de contas entre traficantes e sabemos quem são, mediante denúncias. Tinha muita gente no local que viu quem atirou, mas estão com medo de depor e de se expor. A situação do tráfico de drogas naquela área é muito complicada”, confirmou o delegado.

No bairro, o medo tem endereço certo: o beco Mossoró, conhecido reduto dos traficantes que impõem a lei do silêncio entre os moradores e que cometem atos de violência a qualquer hora do dia. Segundo moradores que não quiseram se identificar, os traficantes que balearam a menina atuam na área “baixa” do bairro, que é a rua Galdêncio Ramos, conhecida como “Faixa de Gaza”, e que no local “nem a polícia entra”. Mas, o medo de falar sobre a situação de violência impede que, inclusive, pessoas ligadas à associação dos moradores se pronunciem sobre o assunto, quando procurados pela reportagem de A CRÍTICA na tarde de segunda-feira (20).

Os moradores contam serem assaltados e ameaçados com armas de fogo. Um motorista que não quis se identificar relatou um dos casos. “Aqui na (rua) Coqueiro Mendes, dois homens colocaram uma arma na cabeça de uma mulher e levaram o carro. Ali na padaria, o dono abriu as 6h30 da manhã, o pessoal chegou aí e assaltou. Tem uma ferragem aqui perto onde deram uma coronhada na cabeça do dono, um senhor idoso”, disse ele. Mas, quando questionado se os crimes estavam relacionados com o tráfico de drogas, praticado na área “baixa” do bairro, ele respondeu. “É gente de fora. Não tem ninguém daí de  baixo, não. Aqui nós conhecemos o pessoal”, disse o motorista, olhando para os lados, e aparentando medo.