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Manaus
Tráfico X Educação

Meninos levam drogas para a sala de aula em Manaus

Segundo promotor Adelton Melo, cada vez mais adolescentes e crianças de até 12 anos estão sendo aliciadas por traficantes 18/11/2012 às 15:28
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Em Manaus, menor (E) aparece em foto cheio de dinheiro com outro adolescente (D)
Joana Queiroz Manaus

Por muitos anos a polícia se preocupou em manter os vendedores ambulantes – pipoqueiro, bombonzeiro e picolezeiro – longe das escolas por acreditar, que além das guloseimas, eles também poderiam estar vendendo drogas para os alunos. Agora, a polícia tem um novo desafio, que é identificar os ‘traficantes mirins’, estudantes que vendem entorpecentes para os colegas dentro das escolas.

O promotor de Justiça da Infância e Adolescência, Adelton Melo, disse que o tráfico dentro das escolas já se tornou um fato corriqueiro e que são os próprios alunos que estão levando as drogas para dentro dos estabelecimentos de ensino.

Melo atua na promotoria da Infância e juventude há mais de duas décadas e afirmou que, nos últimos, anos tem sido comum ele receber adolescentes que foram flagrados portando droga dentro das escolas. Só na última semana foram dois casos.

“O que está me causando preocupação é a idade desses meninos, que estão ficando cada vez mais novinhos e já estão no crime”, disse o promotor. Segundo ele, antes a maioria dos casos envolvia adolescentes de 17 anos. Com o tempo, esse perfil mudou, passando a apresentar, mais frequentemente, adolescentes de 16, 15 e 14 anos. E, nos últimos meses, o promotor tem se deparado com  adolescentes de 13 anos e até mesmo, de 12 anos de idade.

Segundo o promotor, os traficantes estão recrutando crianças e adolescentes porque sabem que eles recebem um tratamento diferenciado quando são pegos cometendo um ato infracional, determinado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Também segundo Melo, quanto mais novo o adolescente, menor a capacidade que ele apresenta para discernir e avaliar a gravidade dos atos cometidos. Para ele, as crianças se tornam alvo fácil dos traficantes, que oferecem dinheiro e o acesso fácil a coisas que elas desejam, como roupas e jogos eletrônicos, por exemplo.

Na opinião do promotor, o número de estudantes portando droga e armas dentro das escolas está aumentando mais por que as pessoas estão tendo mais facilidade para denunciar. “Depois da implantação do programa Ronda no Bairro, a polícia ficou mais próxima da população, que consegue fazer denúncias no ato dos fatos, analisou.

Famílias sem estrutura

Melo atribuiu o crescente envolvimento de crianças e adolescentes com o crime à desestruturação da família. Segundo ele, a maioria dos adolescentes infratores são filhos de pais separados e moram com a mãe, que precisa sair de casa para trabalhar e  sustentar a família.

Para o promotor, isso não serve como desculpa para não dispensar atenção ao filho. “Elas não passam 24 horas trabalhando. Tem que dispensar um tempo para cuidar do filho, dar atenção para ele, saber o que ele está fazendo”, disse.

Apreensão

Na segunda-feira a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai) registrou a apreensão de dois adolescentes que estavam supostamente vendendo entorpecentes em duas escolas estaduais da cidade.

Por voltas de 9h, um garoto de 12 anos foi denunciado pelos colegas de classe à diretoria de escola, por estar vendendo drogas na escola estadual Professora Diana Pinheiro, na Colônia Oliveira Machado, Zona Sul. Na mochila dele foram encontrados um tablete de maconha e 21 trouxinhas de pasta-base de cocaína.

À tarde, o gestor da escola estadual Roberto Santos Vieira, no Nova Cidade, Zona Norte, chamou a polícia porque um estudante de 15 anos estava cinco porções de maconha dentro da sala de aula. O adolescente foi apreendido e levado à Deaai.

A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) informou que, em ambos os casos, is outros alunos denunciaram os colegas aos gestores. Ainda segundo a secretaria, na escola Diana Pinheiro, foi a primeira vez que um aluno foi pego vendendo drogas. Já no colégio Roberto Santos Vieira, já existiam denúncias de alunos que traficam dentro da escola.