Publicidade
Manaus
Manaus

Mercado Adolpho Lisboa em Manaus ganha nova data para entrega

Seminf garante que até o fim do ano o “mercadão” será entregue, mas ritmo da obra segue lento 14/07/2012 às 09:29
Show 1
Seminf diz que obra segue normal, mas ontem não havia operários trabalhando no local, que está há oito anos fechado
Maria Derzi Manaus

Já se vão oito anos, duas administrações municipais e mais de R$ 15 milhões em verbas públicas e, até agora, as portas do Mercado Municipal Adolpho Lisboa continuam fechadas, a cadeado, e a espera do dia em que, finalmente, um dos símbolos do apogeu da borracha volte a funcionar, reafirmando seu lugar na história do Amazonas.

A nova previsão da Prefeitura de Manaus, cuja administração deixa o poder em 31 de dezembro deste ano, é que o restauro  seja finalizado ainda em 2012.

Ontem, A CRÍTICA teve acesso ao interior do mercado e verificou o estado das obras. A luz no fim do túnel prometida para este ano talvez seja mesmo esticada para a Copa do  Mundo de 2014. Em alguns galpões, onde os trabalhos de restauração já deveriam estar em fase adiantada, o que se viu foi apenas o armazenamento de materiais de construção como telhas de barro e tijolos em concreto. Tudo está empilhado no meio do pátio coberto, como se estivessem em um depósito. Além disso, há muita sujeira de obra.

Em outras áreas, os trabalhos de restauração nem parecem ter sido iniciados e as construções se restringem a um canteiro de obras, onde estão sendo construídos a base do piso e o encanamento.

Já em outros pontos do mercado, como na área externa, pode-se ver que o piso em concreto  está sendo colocado. Uma das primeiras discussões sobre o restauro do mercado girava em torno do piso, que originalmente, era em pedra de Liós, conhecida como pedra sabão, piso trazido da Europa. Não há sinais de que o piso com as mesmas características será colocado no interior dos galpões.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura avalia que as obras do Mercado Adolpho Lisboa seguem em ritmo normal. Diferente de uma obra nova, o restauro do mercado municipal se torna mais lento em virtude de que, tudo naquele espaço, é do século passado e precisa de mais cuidado e da atenção dos profissionais capacitados por restauradores, diz a Seminf.

A secretaria informa que, hoje, os trabalhos estão concentrados nos pavilhões central, do peixe e tartaruga. O pavilhão frontal e de carne estão em fase de acabamento.

Obra de arte em plena Amazônia

O avanço da economia da borracha impulsionou grandes construções em Manaus na vira do século XIX para XX.  Diante da necessidade de melhorar as condições de higiene na comercialização de alimentos, o Adolpho Lisboa foi construído às margens do rio Negro, a partir de 1880 pela firma Bakus & Brisbin, e tinha como modelo o mercado “Les Halles”, em Paris.

Em estilo “Art Noveau”, o Adolpho Lisboa foi construído com estrutura em ferro fundido, em vidros coloridos, consistindo no segundo mercado popular construído no Brasil.

O primeiro edifício do empreendimento foi um prédio de ferro com 45 metros de comprimento e 42 de largura, sustentado por 28 colunas, duas salas laterais, em alvenaria de pedra e tijolo. O calçamento era em laje de cantaria, retangular e a rua central era contornada em paralelepípedos. Nas laterais foram construídos boxes em ferro com balcões de madeira, com tampo em mármore. Em 1890 foram construídos dois outros dois pavilhões, em ferro e zinco com 360 m² de área útil, beirais abertos, com arcos em ferro enfeitados com gradis ornatos decoradose vidros coloridos.