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Mesmo com a greve dos professores, alguns alunos ainda frequentam a Ufam

Corredores, laboratórios e bibliotecas vazios: instituição está funcionando com aproximadamente 1,5% das atividades 05/09/2012 às 11:28
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Faixas e cartazes de adesão à greve são encontrados nos corredores; apenas funcionários da limpeza circulam pelo local
Milton de Oliveira Manaus

Os corredores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) continuam praticamente desertos, devido à paralisação dos professores. Apenas funcionários da limpeza, da biblioteca e dos departamentos administrativos, além dos estudantes de projetos de pesquisa estão frequentando a instituição de ensino. Nesta terça (4), completaram 111 dias de paralisação, superando todas as quatro maiores greves já registradas na instituição pela Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua).

“O fato de que 700 alunos deixaram de colar grau no primeiro semestre é um prejuízo da greve. Mas, esse prejuízo não é gerado pelos professores, e sim, pela intransigência e arrogância do Governo Federal em não querer negociar”, disse o professor José Belizário Neto, membro do comando local de greve. A greve continua e quarta-feira da semana que vem, haverá nova assembleia.

A bolsista de projetos na área de Química, Yasmin Cunhas, 19, contou que teme concluir o curso com atrasos. “Não há professores dando aulas. Eu venho porque tenho de cumprir a carga horária do projeto”, disse a estudante, lamentando que, quando começou a paralisação, ela estava no terceiro período do curso de Química, faltando um mês para concluir o semestre.

Conforme Belizário, as reivindicações dos professores não estão fora da realidade. “Não se trata de reajuste salarial. Na verdade, estamos reivindicando reposição salarial e reestruturação da carreira, sem excluir professores aposentados e pensionistas”, esclareceu.

Apoio
De acordo com o professor José Belizário, a greve é apoiada pela maioria dos estudantes da Ufam, que precisam de estrutura para desenvolver melhor a formação. “O que acontece nesta instituição é uma amostra do que vemos nas universidades federais do Brasil, ou seja, faltam laboratórios, banheiros estão sem condições de uso, um restaurante universitário com pouco espaço, que funciona em local onde estava projetado funcionar banheiros... ”, disse.

Ainda conforme o docente, inclusive os restaurantes particulares funcionam de forma inadequada. “Não é preciso ser um especialista em vigilância sanitária para verificar a situação em que funcionam os restaurantes privados dentro da Ufam. A situação é visível”.

Para o professor, a biblioteca não oferece livros atualizados para os estudantes. “Parece um depósito de livros velhos. A Internet e os computadores funcionam mal”, concluiu.

Final ainda é uma incógnita
De acordo com dados da Adua as quatro maiores paralisações aconteceram nos anos de 1991, 1998, 2001 e 2005. A deste ano superou todas e o final dela ainda é uma “incógnita”, segundo o diretor do comando local de greve, Jacob Paiva. Apenas 1,5% das atividades acadêmicas estão sendo realizadas no campus. Estudantes de projetos e pós-graduação de algumas áreas são os que frequentam a universidade nesse período de incertezas.