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Manaus
CONSCIÊNCIA NEGRA

Professores e militantes defendem eventos de combate ao racismo e ao preconceito

O Mês da Consciência Negra é marcado por uma programação diversificada valorizando o enfrentamento ao racismo e à valorização da cultura afro-descendente no Amazonas 17/11/2017 às 07:40 - Atualizado em 17/11/2017 às 09:09
Show negra
Capoeirista e historiador, Kaká Bonates defende a discussão do tema para combater o preconceito em forma de bullying. Foto: Clóvis Miranda - Arquivo/AC
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O estímulo de eventos que promovam o enfrentamento ao preconceito e o bullying, com base na abordagem da história negra, são mais do que necessários, avaliaram professores de escolas públicas e membros de entidades ligadas à Consciência Negra. Desde o início da semana, a programação que aborda a temática reabre discussões como essa, caso da mostra de projetos da diversidade étnico-racial que teve, ontem, a participação de mil alunos de 46 escolas públicas no Instituto de Educação do Amazonas (IEA).

Ao falar sobre a importância desses eventos, a professora Denise Cunha, que ministra aulas para alunos de 6º ao 9º ano do ensino Fundamental no IEA, comentou que “todos os eventos relacionados a essa temática são importantes porque, na sala de aula, precisamos levantar esse tipo de questão para que os alunos tenham reflexão para olhar o outro e se colocar no lugar das pessoas”.

Segundo a professora, às vezes é necessário que o docente tenha “jogo de cintura” para saber abordar com os alunos a questão da diversidade, já que, em sala de aula, não há como ter esse tipo de conversa diariamente. “Estudos mostram que quem pratica bullyng é quem sofreu por conta dele”, ensina Denise Gomes.

Capoeira

Mestre da Escola de Capoeira Matumbé, especialista e profundo conhecedor dos povos afro-brasileiros, o capoeirista Kaká Bonates, que é historiador, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e biólogo por formação com doutorado em Botânica, analisa que discutir preconceito e o bullying em eventos alusivos ao Mês da Consciência Negra é “tirar a poeira debaixo do tapete”, pois, segundo ele, “ainda vivemos sob o mito da democracia racial e o bullying passa pela questão de classe, pobre, preto, etc... sempre aquele padrão com o branco-euro-centrismo de referência”.

Para ele, o bullying, independente da jocosidade e da brincadeira, denota o “preconceito e o racismo escondido que as pessoas têm”. “A maior prova disso é que no Amazonas a pessoa pode ser da cor do asfalto, mas alguém vai chegar e lembrar que ele era moreno, e nunca dizer que é preto; é uma coisa inconsciente”, analisou.

Professor da rede pública em Salvador e de passagem por Manaus para uma palestra que ocorrerá domingo sobre a Consciência Negra, o mestre capoeirista e militante da causa Augusto Januário defende que a discussão sobre preconceito e bullying deve ser discutido diariamente e constantemente. “A sociedade não está parada, ela está em movimento e essas questões têm que ser levantadas diariamente para que as pessoas tenham consciência e se afirme a necessidade do respeito pelo outro”, conta ele.

Celebração no Centro

No dia 22, professores da rede pública de ensino se reúnem no Colóquio sobre População de Matriz Africana, às 14h, no IEA. A agenda temática tem evento também no dia 23, com a reunião de vários grupos étnico-raciais, de 16h30 às 20h, no Largo São Sebastião, no Centro Histórico.

Programação diversificada

O Mês da Consciência Negra é marcado por uma programação diversificada valorizando o enfrentamento ao racismo e a valorização da cultura afro-descendente no Amazonas. Palestras, mostra de projetos, colóquio, abordagens educativas, caminhada, entre outras, serão algumas atividades da agenda positiva. Os eventos contam com a organização de entidades como o Quilombo Urbano de São Benedito, na Praça 14 de Janeiro, que, no dia 20, data especial de comemoração da Consciência Negra, abre as portas para uma feijoada. Será às 12h, na avenida Japurá.

Seminários e mostras partem de iniciativas das secretarias de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e Educação (Seduc) do Estado, mais a municipal de Educação (Semed).
Hoje e nos dias 21, 22 e 23 acontecem abordagens educativas nas 11 unidades do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) de Manaus, Parintins e Manacapuru. Também hoje, na rua Belo Horizonte, Compensa, Zona Oeste, a partir das 15h30, o grupo de capoeira Arte Revelação e a Sejusc vão realizar uma caminhada de conscientização.