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Manaus
Cotidiano, Polícia Militar, Justiça Militar

Militares com pendências na Justiça do Amazonas pretendem ser oficiais

Os irmãos Jarles e Jucirley respondem a crimes de homicídio, tortura, tráfico de drogas e frequentam a Academia de Polícia, após terem sido aprovados em concurso 11/02/2012 às 15:01
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Observado pelo coronel Augusto Magno, Jarles declara que a Justiça decida pela inocência dele
acritica.com Manaus

Ele responde a quatro processos criminais na Justiça e uma condenação de nove anos de prisão com a perda do cargo público pelo crime de tortura, mas é candidato a ocupar uma vaga de oficial na Polícia Militar do Amazonas.

O cabo Jarles Rodrigues do Espírito Santo foi aprovado no último concurso da corporação, e atualmente, está cursando a academia, assim como o irmão, o soldado PM Jucirley Rodrigues do Espírito Santo, o “Morte”, que também responde a dois processos criminais por homicídio e nenhuma condenação.

Jarles está preso na Companhia de Guarda da Polícia Militar, localizada no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus, de onde todas as manhãs sai em uma viatura da polícia, escoltado por militares, para assistir as aulas na academia de polícia, que funciona na Faculdade Nilton Lins, no conjunto Parque das Laranjeiras, bairro de Flores, Zona Centro-Sul de Manaus.

Na maioria das vezes, ele está fardado. O aspirante frequenta as aulas normalmente e, no final do dia, retorna à prisão.

Recursos
Jarles disse que está na Polícia Militar há 20 anos, como praça, que é bacharel em direito e que fez o concurso da PM para oficial antes de sair a condenação e que o seu advogado já recorreu da sentença.

Ele disse que vai continuar frequentando a academia na esperança de que seja inocentado. O aluno contou, ainda, que é inocente e que a acusação partiu de um traficante, identificado como Hudson da Costa, que ele prendeu. 

Além do crime de tortura, o cabo responde na 2ª Vara Criminal por crimes militares, na Auditoria Militar, e na 2ª Vara Especializada em Uso e Tráfico de Entorpecentes (2ª Vecute) por tráfico de droga e condutas afins.

Segundo consta nos autos, ele teria sido preso em flagrante.

Já Jucirley responde a dois processos de homicídio. Um tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri Popular (1º TJP) , pela morte de um homem identificado como Odenir Campos de Carvalho e outro na 2ª TJP, pela morte de Ricardo Mendes Sales.

Jucirley não foi encontrado para falar sobre o assunto. Ele chegou a ser eliminado do concurso por estar acima da idade estabelecida no edital do concurso, que é de 18 a 28 anos.

Por força de uma liminar expedida pelo juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, Leoney Figliuolo Harraquian, ele conseguiu frequentar a academia.  Segundo o edital, para se inscrever no concurso para oficial é necessário que o candidato tenha, no máximo, 28 anos completos no ato do ingresso na carreira militar.

O juiz entendeu que “Morte” já estava na PM e que ele não via motivos para excluí-lo do certame, já havia demonstrado, por meio de documentos, gozar de boa saúde física e aptidão no exame de saúde. Jarles está esperançoso de que até o final do curso a Justiça decida pela inocência dele e que os outros processos que ainda estão tramitando, não vão impedi-lo de que se torne um oficial da PM.

“Não há impedimento!”
O comandante geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Almir David, disse que não há nenhum impedimento para que qualquer pessoa se inscreva e faça o concurso para oficial da Polícia Militar e que ter conduta ilibada é um dos requisitos para a aprovação.

Segundo o comandante, o curso é dividido em fases, que os irmãos já foram aprovados nas primeiras fases, que no momento eles estão fazendo academia.

De acordo com Almir, estar fazendo academia não garante que os aspirantes vão receber aprovação no final. Uma das fases que eles ainda vão passar e que poderão ser reprovados é o da Investigação Social, que é feita pelo Departamento de Inteligência da PM. Nessa fase é feito o levantamento de todo histórico do candidato.

O comandante informou que há duas semanas um dos candidatos já foi eliminado por ter sido descoberto que ele tinha envolvimento com tráfico de droga.

Em uma entrevista rápida, o comandante da Academia da PM, coronel Augusto Magno, falou sobre o comportamento do cabo Jarles nas aulas.

Como o cabo Jarles é tratado na academia?
Ele recebe o mesmo tratamento que os demais alunos. Ele chega aqui, não sabemos como, mas às 7h já está na sala de aula, onde fica até o fim e, no final do dia, vai embora.

Ele assiste as aulas com escolta policial, já que é preso condenado?
Não. Eu não sei informar se ele chega aqui escoltado ou não. Nós somos os responsáveis pela parte pedagógica do concurso, quanto à parte judicial, é competência da Justiça e da Corregedoria Geral. Mas enquanto os processos que tramitam na Justiça não estiveram transitados e julgados, eles são considerados inocentes.

Quais procedimentos são tomados quando é descoberto que um aspirante não tem uma conduta ilibada?
É instaurado um processo administrativo da vida pregressa dele, que tem cinco dias para apresentar sua defesa. Se ele não conseguir justificar é eliminado automaticamente.