Publicidade
Manaus
Manaus

Ministério Público do Estado do Amazonas cobra Polícia Militar

MPE cobra da corporação a conclusão de processos administrativos abertos contra PMs já condenados 15/04/2012 às 08:43
Show 1
Felipe Arce foi condenado por associação ao tráfico, mas está à disposição da PM
jornal a crítica Manaus

O Ministério Público Estadual (MPE) cobra da Policia Militar a conclusão de processos administrativos abertos contra oficiais já condenados pela Justiça e que estão cumprindo pena, mas ainda não tiveram seus procedimentos administrativos concluídos. Ou seja, continuam vestindo a farda e recebendo seus soldos normalmente. O número de policiais nessa situação não foi revelado.

A iniciativa culminou com uma representação feita por um soldado da Polícia Militar, que teve o nome mantido em sigilo, condenado a oito anos e seis meses pelo crime de homicídio e que foi exonerado. Este recorreu da sentença e  está tentando sua integração. Na representação, o militar cita vários casos de oficiais, alguns condenados e outros denunciados, que continuam na instituição.

Entre os condenados de farda estão os tenentes Wilson Marques, acusado de vários crimes, José Carlos Soares Gomes, condenado por tráfico internacional de droga e Felipe Arce Rio Branco, condenado a cumprir dez anos de pena de privação de liberdade pelo crime de associação para o tráfico e porte de arma.

De acordo com as fichas criminais da maioria, em algumas há registros de vários crimes pelos quais eles já poderiam ter sido excluídos. Mas, ao contrário: são beneficiados quando cumprem pena em unidade militar e, ao invés de irem para um presídio comum como  presos comuns, continuam recebendo seus salários de policiais e ainda  são promovidos.

Wilson e José Carlos desde 2006 integram a lista dos militares que serão exonerados. Wilson foi submetido a conselho disciplinar que decidiu pela exoneração dele.

José Carlos cumpre pena em uma das unidades militares e já está perto de terminar. Atualmente, trabalha no centro de Assistência Social da PM. Felipe Arce encontra-se à disposição da corporação.

Para o Ministério Público há indícios de uma suposta omissão por parte de quem tem o dever de apurar e julgar, no plano administrativo, as condutas de policiais militares que são incompatíveis com a função de policial militar.

Por meio da sua assessoria de comunicação, o comando da Polícia Militar diz que os mesmo continuam na instituição por conta de medidas judiciais e que a maioria já teve seus procedimentos concluídos. “Ordem judicial tem que ser cumpridas, caso contrário seremos presos”, disse o chefe da 5ª Sessão da Polícia Militar, tenente-coronel Euler Cordeiro.

Processos criminais indefinidos
Há uma outra relação de policiais militares que estão respondendo a processos criminais, ainda não foram sentenciados e que ainda não se sabe se, pelo menos, foram instaurados procedimentos administrativos. O soldado PM Renildo Lamongi Moura é acusado de vários crimes militares e comuns, entre eles um homicídio em 2003. Até o momento só foi punido com 15 dias de prisão.

O sargento Luís Maia, o “L. Maia”, é acusado por envolvimento nos crimes praticados pela suposta organização criminosa citada no “Caso Wallace”.

Já os irmãos cabo Jarles e Jucirley Rodrigues do Espirito Santo, conhecidos como “Irmãos Morte”, estavam fazendo o curso para oficial da PM. Jarles está condenado a oito anos de prisão por crime de tortura. Após denúncia publicada em A CRÍTICA, ele foi submetido a investigação social que constatou a veracidade da denúncia e o resultado foi sua exoneração. Já o irmão continua como PM.