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Mobilidade sustentável em debate no AM

O uso de parques e igarapés como "eixos de conexão" no trânsito foi um dos temas tratados 21/04/2012 às 09:00
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Proposta de debatedores é ir além da ciclovia, abrangendo também os pedestres
Milton de Oliveira ---

Igarapés, parques e zonas de preservação ambiental em Manaus poderiam ser “eixos de conexão” para outras áreas da cidade, com acesso a pé ou por meio de bicicletas, diminuindo os gargalos no trânsito. A afirmação foi feita ontem, no último dia de debates do “Fórum de Bicicletas de Manaus”, que discutiu, na Assembleia Legislativa a mobilidade sustentável para todos. De acordo com o urbanista Ricardo Corrêa, o fórum não debateu apenas a construção de ciclovias em Manaus, mas formas de tornar a cidade mais humana, com a possibilidade de tráfego para todos e não somente para os veículos. “Ir além da ciclovia significa que os governos devem melhorar as calçadas, os passeios para pedestres e permitir que todas as pessoas, com ou sem carros, independente da renda delas, possam circular em Manaus”, ressaltou.

O evento contou ainda com a participação de representantes dos governos estadual e municipal e organizações não governamentais. Corrêa disse ainda que a mobilidade urbana está ligada à “mobilidade social”. “Se os governos criam novas vias de acesso, eles estarão ajudando à população a locomover-se com menos custos. Isso significa economia popular”, ressaltou. Ainda conforme ele, a bicicleta é uma alternativa real de transporte porque “nem todos podem comprar um carro”. “Pensar uma cidade para as pessoas é redistribuir o espaço urbano”, concluiu. Para o coordenador do Pedala Manaus, Ricardo Romero, o que motivou o fórum foi uma demanda da sociedade. “As pessoas querem ter segurança e espaço nas vias públicas. Os motoristas dizem que as pessoas e as bicicletas devem circular pelas calçadas, mas não há calçadas e quando elas existem, são cheias de obstáculos. Portanto, o pedestre deve ser protagonista e não o veículo”, falou.

Legislação

 A Lei 12.587/2012, conhecida como Lei de Mobilidade Urbana, entrou em vigor no último dia 13 e, segundo o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, serão investidos R$ 32 bilhões nessa área. “A questão da mobilidade é uma das principais agendas do Ministério das Cidades. Estão previstos investimentos extremamente importantes que contribuirão para minimizar os problemas dos brasileiros se locomover”, destacou o ministro. A nova lei exige que os municípios com mais de 20 mil habitantes elaborem planos de mobilidade urbana em até três anos, que devem ser integrados aos planos diretores. Atualmente, essa obrigação é imposta aos municípios com mais de 500 mil habitantes. As cidades que não cumprirem essa determinação podem ter os repasses federais destinados a políticas de mobilidade urbana suspensos.