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Moradores cobram melhorias em porto e geração de empregos no bairro São Raimundo em Manaus

Apesar da bela paisagem do Rio Negro, os moradores lamentam a escassez de movimento e no comércio pelos arredores do porto do São Raimundo, Zona Oeste 21/07/2014 às 11:18
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Moradores do bairro São Raimundo esperam uma nova história no local
Jéssica Vasconcelos ---

Diante de uma das vistas mais belas do Rio Negro, os moradores do bairro São Raimundo, na Zona Oeste, tem esperança que o local receba melhorias e se torne atrativo para o comércio. Se durante muito tempo a travessia para o município de Iranduba foi realizada pelas balsas do porto do São Raimundo, hoje, a desativação da travessia deixou a saudade do movimento de pessoas no local.

Segundo a comerciante Luziana Moreira de Souza, 76, que mantém um restaurante no porto, o movimento diário de pessoas e embarcações deixou de existir desde que a Ponte Rio Negro foi inaugurada e, agora, apenas pequenos barcos atracam no local. Luziana lembra que antes da desativação, muitas pessoas tinham lanches e restaurantes e o lucro era melhor do que é hoje. “Só restou o meu restaurante e o de outro senhor que ainda insistimos em ficar aqui”, disse a comerciante.

O ideal de acordo com Luziana era que o porto voltasse a receber balsas, barcos e que a população tivesse a opção de fazer a travessia pelo porto e pela ponte Rio Negro. Outra sugestão era que, além da travessia para o município de Iranduba, as pessoas pudessem usar o porto para ir à outras cidades mais distantes. “Mesmo sem espaço, todos os dias, há um intenso tráfego de pessoas no porto da Manaus Moderna e da Ceasa. Uma das alternativas era que parte daquelas embaracações pudessem atracar no São Raimundo, pois aqui tem público, muitos turistas que chegam procurando passeios e artesanatos”, acrescentou Luziana.

Enquanto não encontram uma solução para movimentar o porto, os poucos comerciantes que restam ali fazem o que podem para se manter no local.

Na avaliação do comerciante Aderbal Junior Silva, 67, o comércio no local vai de mal a pior. Segundo ele, se antes era possível vender dez refeições por dia, hoje não se vende metade por que as pessoas deixaram de freqüentar o local.

Aderbal diz que entende as mudanças e os benefícios para os motoristas. “É mais rápido ir pela ponte, entretanto, somente a paisagem do rio e o vento no rosto somente a travessia por balsa pode proporcionar”, comentou.

No ano passado foi cogitou-se a utilização do porto do São Raimundo, como base para a instalação da Rodoviária de Manaus, que voltou a ser administrada pela prefeitura. Duas reuniões foram realizadas entre Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra) a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos no Estado (Arsam) e as empresas de transporte rodoviário, mas até agora a notícia se confirmou.

O superintendente municipal de transportes urbanos, Pedro Carvalho, disse, à época, que uma equipe técnica chegou a fazer um levantamento técnico do local, para iniciar as supostas intalações da rodoviária.

Títulos e glórias são passado

Motivo de orgulho dos moradores do bairro, o time de futebol São Raimundo, há alguns anos não leva títulos para a comunidade. Um dos principais clubes do Amazonas, tendo conquistado sete campeonatos Amazonense e três copas Norte - sendo recordista de títulos neste antigo torneio regional - possui também um vice-campeão da Campeonato Brasileiro da Série C. Entre outros feitos, o “Tufão da Colina”, como é chamada pelos seus torcedores, foi o único do clube amazonense a ter participado de um torneio internacional oficial, a Copa Conmebol de 1999, do qual acabou sendo semifinalista. O clube ainda participou por oito vezes da Copa do Brasil.

De todos os títulos conquistados restou para os moradores a saudade. Segundo Marco Antônio Alencar, 43, que viu o time ser campeão amazonense em 1994 naquela época o time do São Raimundo era respeitado e era o único representante do futebol amazonense com vários títulos. “A diversão das crianças era jogar futebol e daqui saiam muitos talentos”, disse Marco.

Ainda segundo Marco Antônio hoje, o clube não forma campeões e até a escolhinha de futebol foi extinta. “O ideal era que o clube reativasse as escolhinhas porque isso poderia contribuir com a juventude do bairro”, acrescentou.