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Moradores da Zona Leste de Manaus criam alternativas para enfrentar a criminalidade

Atividades envolvendo voluntários que oferecem noções de educação, música, práticas esportivas e até atendimento psicológico, entre outras, vêm sendo algumas das ferramentas utilizadas por comunitários para combater o crime 09/04/2012 às 08:32
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O comunitário Camilo Gomes de Assunção (à direita), que criou um grupo musical composto por 90 crianças e adolescentes no bairro Jorge Teixeira
ANA PAULA SENA Manaus

Moradores da 1ª etapa do bairro Jorge Teixeira, situado na Zona Leste de Manaus, buscam alternativas sociais na tentativa de diminuir a criminalidade que vem aumentando a cada dia na área. Apenas na semana passada foram registradas mais de seis mortes, a maioria envolvendo o tráfico de drogas.

A dona de casa Silvana da Silva, 42, afirma que todos os moradores estão se sentindo abandonados com a onda de mortes que vem acontecendo no bairro.

“Não dormimos tranquilos, quem manda no bairro são os bandidos, não aguentamos mais. Pessoas inocentes também estão morrendo”, desabafou.

Conforme uma das coordenadoras do grupo de jovens, Aparecida Sampaio, 22, para tirar os jovens das ruas, são realizadas atividades por voluntários que ensinam música e a prática de esportes.

“O número de jovens que frequentam ainda é muito pouco, mas não podemos desistir. Ainda precisamos de pessoas que ajudem e sejam voluntários para que nosso trabalho cresça. A única solução para dias melhores é uma educação de qualidade”, explicou.

Pastorais da Igreja Santa Maria Gorete, localizada na rua  das Orquídeas, também realizam trabalhos essenciais na 1ª etapa do  Jorge Teixeira. Uma delas é a atividade social com idosos e crianças.

“Promovemos educação fisica, atendimentos pisicológicos e diversos eventos aos idosos e crianças. Por meio desses trabalhos levamos conscientização à população. Nossa maior dificuldade é envolver os jovens nessas atividades”, afirmou uma das integrantes da igreja, Valcilene Amorim, 47.

Comércios
O bairro é o terceiro maior da Zona Leste de Manaus, nele se concentra uma variedade de comércios e feiras. A maior área comercial do bairro está localizada na avenida Penetração, e é conhecida como “Fuxico”, reunindo a venda de estivas, onde proprietários de pequenos estabelecimentos vão se abastecer.

O comerciante Antonio Pereira, 43, relata que a grande concentração de estabelecimentos de estivas no local favoreceu o surgimento de restaurantes e lanchonetes e, também, o trabalho de estivadores, que ajudam a carregar caminhões, caminhonetes, pequenos veículos e até motocicletas.

“No inicio não vendíamos muito, mas depois que as pessoas foram conhecendo nosso trabalho tudo mudou. Trabalhamos de domingo a domingo para atender a grande quantidade de pessoas que frequenta o local”, citou.

O restante da atividade comercial se estende ao longo da avenida Autaz Mirim, com depósitos de sucata e ferro-velho, postos de combustíveis e empresas prestadoras de serviços.

Surgiu a partir de invasões
O processo de ocupação ordenado e pacífico do bairro Jorge Teixeira aconteceu há 23 anos, quando ocorreram sucessivas invasões que resultaram na criação das quatro etapas do bairro, mais o João Paulo 2, o Bairro Novo, o Valparaíso, o Nova Floresta e o Monte Sião, comunidades que formam o Jorge Teixeira.

Neste mesmo tempo, loteamentos promovidos por particulares fizeram surgir os conjuntos residenciais José Carlos Mestrinho e Arthur Virgílio Filho, ambos de moradias populares, mas com o mínimo de infra-estrutura. Grande parte das residências do bairro foi erguida em terrenos impróprios à moradia, como morros ou zonas alagadas, e sem registro topográfico.

Uma das moradoras mais antigas do bairro, Leandra Amaral, 56, faz questão de dizer que o bairro já melhorou muito. “Quando vim morar aqui, não era asfaltado; quando chovia tinha muita lama, não passava ônibus e não existia posto de saúde. Hoje todas as ruas são asfaltadas, temos ônibus, escolas, casinhas da família e uma enorme variedade de comércios”, afirmou.

Pra sempre
Moradora do  Jorge Teixeira há 20 anos, a vendedora de frutas Mariana Aguiar, 47, afirma que não tem vontade sair do bairro. Para ela, a praticidade de encontrar tudo o que precisa é o grande diferencial. “Não precisamos mais ir ao Centro; aqui tem tudo”, afirmou.