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Manaus
CARAMUJO

Bairros de Manaus clamam por ações de combate ao caramujo africano

Moradores de 12 localidades da capital já solicitaram apoio contra a praga, que pode transmitir meningite e hepatite 16/01/2018 às 15:49 - Atualizado em 16/01/2018 às 15:52
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Fotos: Gilson Mello/Freelancer
Silane Souza Manaus (AM)

Na primeira quinzena deste ano, moradores de 12 bairros de Manaus procuraram a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) em busca de informações sobre como lidar com o caramujo africano. O molusco se prolifera neste período de chuva e causa apreensão uma vez que pode ser vetor de doenças como a meningite e hepatite, além de indiretamente ter a sua carapaça servindo de criadouro para o Aedes aegypti, mosquito transmissor da Dengue, Zika vírus, Chikungunya e febre Amarela. Por isso, a orientação de esmagar a carapaça para evitar que ela se torne foco.

No bairro Vila da Prata, Zona Oeste, a propagação do caramujo africano é grande nesta época e deixa os moradores apreensivos. A dona de casa Rose Miranda, 37, moradora da travessa Cunha Melo, disse que não dá para descansar no quintal porque a infestação do molusco é grande, especialmente depois que chove e no final da tarde. “Meu marido joga sal neles, mas não acaba com eles. Eu não sei de onde eles vêm. Antigamente não havia caramujo africano por aqui”, afirmou.

O eletricista Ricardo Miranda, 40, irmão de Rose, é outro que tem no quintal a presença do molusco. Ele acredita que os caramujos vêm do igarapé que passa pela avenida Brasil, na Compensa, Zona Oeste, onde há muito deles, conforme ele. “Pode ir lá que você encontra vários ao longo da margem do igarapé. Como é perto, se espalham por toda a área. Aqui têm muitos, à noite então. E são desde aqueles pequenininhos aos grandões”, destacou.

O problema também acontece no bairro Betânia, Zona Sul. Nas imediações do Chapéu de Palha, situado na rua Comandante Ferraz, há inúmeras carapaças. Os moradores dizem que colocam sal quando vêem os caramujos africanos. “Ontem (domingo) apareceu um enorme no quintal, meu marido foi lá e jogou sal. Ele morreu rapidinho. Estão começando a aparecer. Ainda tem pouco, mas tem época que tem muito”, disse a comerciante Eliete da Silva Marques, 38.  

No último fim de semana, os moradores da área receberam orientações sobre como fazer, de forma correta e segura, o combate ao caramujo africano. A dona de casa Liane Moreira Teixeira, 24, disse que quando chove aparecem muitos moluscos do tipo e o combate é fundamental tendo em vista o risco que eles podem representar para a população. “Nos terrenos as margens do igarapé têm demais esse tipo de praga. Se a gente não fizer nada empestam tudo”, afirmou.

Além destes dois bairros, a Semmas também recebeu demanda do Nova Esperança (Zona Oeste), Redenção (Zona Centro-Oeste), Raiz, Praça 14 de Janeiro (Zona Sul), Terra Nova, Novo Israel, Águas Claras (Zona Norte), Aleixo, Eldorado (Zona Centro-Sul) e Zumbi (Zona Leste). Com base nessas demandas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade informou que está sendo montada a agenda de formação de brigadas de combate ao caramujo africano.

O chefe da Divisão de Educação Ambiental da Semmas, Raimundo Araújo, explicou que o objetivo maior da formação de brigadas é capacitar as pessoas para evitar que adotem procedimentos incorretos na intenção de se livrarem do problema, como por exemplo, pegar o caramujo com a mão desprotegida, despejar cal ou sal nos locais onde eles aparecem mantendo intactas as carapaças que podem acumular água e se tornarem criadouros de mosquitos transmissores de doenças como a dengue.

Bairro contemplados com formações

Os bairros da Vila da Prata, na Zona Oeste, e Cidade Nova, Zona Norte, serão os próximos a receber a equipe da Divisão de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), responsável pela formação de brigadas de combate ao caramujo africano. No último fim de semana, o trabalho foi realizado no bairro da Betânia, Zona Sul.

De acordo com a Semmas, as formações de brigadas de combate ao caramujo continuarão ocorrendo na cidade, mediante a solicitação das comunidades. Com a Betânia, subiu para oito o número de brigadas já formadas desde o início do projeto no ano passado. Os interessados em ter as formações de brigada em seu bairro devem ligar para 3236-7420 e 98842-2506.

“A ideia é fazer com que a população se organize e se capacite a combater o problema com as medidas certas de coleta e extermínio do molusco, e paralelamente se comprometa a manter suas ruas e calçadas livres de lixeiras viciadas, bem como seus quintais limpos”, explicou o secretário da Semmas, Antonio Nelson de Oliveira Júnior.

Como combater de forma correta

- Identificar o caramujo africano, que se diferencia do caramujo nativo pela forma da carapaça (pontiaguda)
- Usar saco plástico ou luva para proteger as mãos
- Coletar e depositar o caramujo em saco plástico
- Esmague 
- Coloque dentro do saco um punhado de sal ou cal
- Deposite na lixeira para a coleta domiciliar de lixo 

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